Que em linhas sinuosas...
Fazia prosas...
Descrevia fatos...
No Facebook...
Folhas soltas de papel...
Ao léu...
Nunca foi anjo...
Diabo também não...
Humilde, de todo, nem pensar...
Sua preocupação...
O que comer...
O que vestir...
Quais sapatos a usar...
Leonino vaidoso...
Sonhando no viver...
Quem, realmente, o conhecia...
Dizia que era boa pessoa...
Que fazia valer...
Bocas sujas...
Balançavam línguas más sem cessar...
Quando o viam passar...
-Olha lá...
Apontavam dedos...
Torciam olhos...
Veneno escorria...
Para debochar...
Porém, o poeta careca chato, passava...
E sorria...
Com ironia...
"Água sempre corre para o mar..."
Ele dizia...
"Trabalho, sou honesto, vivo de meus frutos...
Não estou a mendigar..."
Para alguns...
Soava como insulto...
"Nascemos careca...
Nus e sem dentes....
O que vier, é lucro...
Para a gente..."

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