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quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

No meio do caminho



Que em linhas sinuosas...
Fazia prosas...
Descrevia fatos...
No Facebook...
Folhas soltas de papel...
Ao léu...

Nunca foi anjo...
Diabo também não...
Humilde, de todo, nem pensar...
Sua preocupação...
O que comer...
O que vestir...
Quais sapatos a usar...

Leonino vaidoso...
Sonhando no viver...
Quem, realmente, o conhecia...
Dizia que era boa pessoa...
Que fazia valer...

Bocas sujas...
Balançavam línguas más sem cessar...
Quando o viam passar...
-Olha lá...
Apontavam dedos...
Torciam olhos...
Veneno escorria...
Para debochar...

Porém, o poeta careca chato, passava...
E sorria...
Com ironia...
"Água sempre corre para o mar..."
Ele dizia...
"Trabalho, sou honesto, vivo de meus frutos...
Não estou a mendigar..."

Para alguns...
Soava como insulto...
"Nascemos careca...
Nus e sem dentes....
O que vier, é lucro...
Para a gente..."

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