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domingo, 24 de maio de 2026

Crocodilo

 Eu já vi rio secar da noite pro dia

Já vi corrente mudar de direção

Aprendi cedo com a água barrenta

Que quem endurece perde o chão


Eu não brigo com o vento que passa

Nem bato de frente com temporal

Tem hora que o silêncio é o caminho

E esperar também é sinal


Eu vou seguindo conforme a maré

Sem me perder do que sou por inteiro

Porque nesse mundo de pedra e vaidade

Quem força demais chega por derradeiro


Crocodilo que não abana o rabo

Morre afogado no fundo do rio

Eu aprendi a seguir com a água

Sem me perder do caminho


Eu fico quieto, mas vejo de longe

Eu sou do brejo, do tempo e da espera

Meu rumo é o rio quem vem ensinar

Sabedoria é saber esperar...


Crocodilo que não abana o rabo

Morre afogado no fundo do rio

Eu aprendi a seguir com a água

Sem me perder do meu caminho


Crocodilo que não abana o rabo

Morre afogado, pode acreditar

Quem quer viver muito tempo nessa vida

Tem que aprender a esperar...



Sandro Paschoal Nogueira

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Entre luz e silêncio

 Entre Luz e Silêncio


No espelho do tempo, o rosto sereno,

há marcas da vida — nenhum desengano pequeno.

O vento dos anos passou sem pedir,

mas deixou nos olhos vontade de seguir.


A barba de prata não fala de fim,

fala de caminhos guardados em mim.

Quem viveu tempestades conhece o valor

de um gesto sincero, de paz e de amor.


Trova I


Não temo o tempo apressado,

nem seu compasso ligeiro;

quem tem o peito marcado

carrega o mundo inteiro.


Trova II


Os sonhos não envelhecem,

mudam só de direção;

às vezes até adormecem,

mas despertam no coração.


Na calma da noite, um homem contempla,

o silêncio responde aquilo que exempla.

Pois forte não é quem jamais se perdeu,

mas quem cai tantas vezes — e ainda floresceu.


Trova Final


A vida é estrada comprida,

de espinho, abraço e clarão;

quem faz poesia da vida

nunca caminha em vão.





Sandro Paschoal Nogueira

Ser poeta

 Sou poeta das palavras silenciosas,

dos sentimentos escondidos,

das lágrimas que o tempo não secou

e dos sonhos que insistem em permanecer.


Sou poeta dos amores impossíveis,

das lembranças que o coração guarda,

dos instantes perdidos no tempo

e das saudades que nunca se calam.


Escrevo porque a alma precisa falar,

porque o coração transborda sentimentos

que nem sempre cabem no silêncio.


Sou poeta…

porque viver, às vezes,

também é transformar dor em verso.



— Sandro Paschoal Nogueira