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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Os bons, os maus e os feios

 


Entre os Bons, os Maus e os Feios


Há quem chegue fazendo barulho,

Há quem se esconda atrás do orgulho,

Há quem conquiste pela aparência,

E há quem imponha sua presença.


Não sou mocinho de conto encantado,

Nem vilão de passado complicado,

Sou personagem da minha história,

Com meus defeitos e minha vitória.


O tempo passa, a vida ensina,

A alma amadurece, o olhar fascina,

E quem conhece o próprio valor

Não pede licença para ter seu fulgor.


Diante do espelho, um breve momento,

Um olhar seguro, um pensamento,

Não é vaidade querer brilhar,

É ter orgulho de ainda se admirar.


Entre os bons, os maus e os feios,

Cada qual carrega os seus anseios,

Mas poucos têm a personalidade

De transformar presença em identidade.


Não busco aplausos, nem aprovação,

Nem faço da vida uma competição,

Quem tem essência não precisa provar:

Basta chegar para se destacar.


E quando a música anuncia o final,

Sigo elegante, firme e natural,

Pois ser autêntico é meu maior troféu:

Ter os pés na terra e o olhar no céu.


Sandro Paschoal Nogueira

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Magnetismo

 


Ontem, diante do espelho, me olhei com emoção,

Vi um homem cheio de vida, de beleza e sedução.
Sorri para mim mesmo, sem motivo pra esconder,
E pensei: o mundo é grande, hoje eu quero aparecer!

Saí de casa leve, com vontade de caminhar,
Com um brilho diferente e um sorriso no olhar.
E por onde eu passava, algo vinha acontecer,
Eram sorrisos, eram olhares, era bom me perceber.

Havia algo no meu jeito, uma luz que me envolvia,
Uma força que há tempos eu talvez não percebia.
Os olhares me encontravam, a conversa florescia,
E eu sentia que a beleza também mora na alegria.

Não precisei de palco, nem de aplauso ou atenção,
Bastou andar de cabeça erguida, escutando o coração.
Quando a gente se descobre e aprende a se admirar,
Até o mundo ao nosso lado parece se iluminar.

E quando a noite terminou, fui viver meu próprio encanto,
Entre desejos e carinhos, sem censura e sem espanto.
Porque a vida também pede seu momento de prazer,
E não há idade que impeça um homem de florescer.

Hoje guardo essa lembrança com um sorriso satisfeito:
Há dias em que a beleza parece nascer no peito.
E quando a gente se ama, sem vergonha de existir,
Até o espelho nos revela o que esquecemos de sentir.

Pois ontem eu não saí somente para passear:
Saí para celebrar a vida, meu desejo e meu olhar.
E descobri que o segredo, que o tempo não desfaz,
É quando a gente se reconhece… e se sente bonito demais!
🌹


Versões

 


O tempo passa, não pede licença,

leva algumas certezas, nos dá consciência.

Ensina que a vida não segue o roteiro,

e que o mais valioso não tem paradeiro.


Já fui tantas versões de mim pelo caminho,

já mudei de destino, de rumo e de ninho.

Aprendi que nem tudo precisa durar,

mas há sentimentos que sabem ficar.


Não busco aplausos, nem quero provar,

que tenho mil motivos para me orgulhar.

Prefiro a verdade, mesmo imperfeita,

à falsa aparência de uma vida perfeita.


Carrego no rosto as marcas da estrada,

histórias vividas, lições guardadas.

E cada cabelo prateado que vem

me lembra que o tempo também faz o bem.


Não quero ser cópia, nem representação,

quero ser inteiro, de corpo e coração.

Ter paz nas escolhas, firmeza no olhar,

e a doce coragem de recomeçar.


Pois ser feliz não é jamais ter sofrido,

nem ter todos os sonhos já realizados.

É olhar para a vida, sentir-se agradecido,

e seguir de cabeça erguida, apesar dos passados.


E se alguém me perguntar o que aprendi,

direi que a maior conquista está aqui:

ser dono de mim, sem precisar convencer,

pois a beleza da vida é poder ser.


Sandro Paschoal Nogueira

sábado, 26 de setembro de 2026

Rolê

 


Saí de casa sem destino,

sem saber onde chegar,

não porque houvesse um caminho,

mas porque eu precisava andar.


Sentei num bar, pedi um drink,

vi a noite acontecer,

e entre risos e conversas

não encontrei o que queria ver.


Não era falta de gente,

nem silêncio ao redor;

era a falta daquele encontro

que faz a noite ter sabor.


Há dias em que a vida passa

sem sequer nos tocar,

como uma rua conhecida

que já cansamos de atravessar.


E então a gente sai sozinho,

só para poder dizer:

“Hoje eu não fiquei fechado,

hoje eu tentei viver.”


Mas que estranho é estar no mundo

e não sentir o mundo entrar;

ter pessoas ao nosso lado

e ninguém nos despertar.


Talvez a vida seja mesmo

esse eterno procurar:

não necessariamente alguém,

mas um motivo para ficar.


Um olhar que nos surpreenda,

uma conversa sem final,

uma presença inesperada

que transforme o habitual.


Porque o que cansa não é a noite,

nem a solidão de um lugar;

é quando todos os caminhos

parecem sempre terminar no mesmo lugar.


Então volto para casa,

deixo o copo e deixo o bar,

guardo a noite na memória

e me preparo para sonhar.


Amanhã começa tudo de novo,

com seus horários e seus ais;

mas talvez, entre o mesmo de sempre,

a vida ainda guarde algo mais.


E se hoje nada aconteceu,

não significa que acabou.

Há noites que apenas passam…

e há noites em que alguma coisa começa sem que a gente saiba onde começou.


Sandro Paschoal Nogueira

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Rose

 



Era sábado, a garoa caía,

bem leve, molhando a calçada,

e eu fui ao BarCana tranquilo,

sem pressa, sem hora marcada.


Ali estava a Rose, proprietária,

dona daquele cantinho acolhedor,

e entre conversa, risada e lembrança,

a noite ganhava seu próprio sabor.


Uma garrafinha de catuaba

ia chegando ao seu ponto final,

enquanto a chuva, mansinha,

deixava mais bonito o temporal.


Não era noite de grandes planos,

nem de procurar explicação;

era apenas viver aquele instante,

com simplicidade e satisfação.


A vida talvez seja justamente isso:

saber o momento de chegar e partir;

ficar quando existe vontade,

e ir embora quando é hora de dormir.


Porque eu tenho pousada, tenho trabalho,

e a manhã não espera ninguém:

quatro e meia já estou de pé,

fazendo o café para quem vem.


Enquanto muita gente ainda dorme,

eu já começo o meu dia a cuidar:

dos quartos, da casa, dos hóspedes,

e de tudo que precisa funcionar.


Então terminei minha catuaba,

dei boa-noite e fui embora,

não porque a noite estivesse ruim,

mas porque o descanso também tem sua hora.


E enquanto a chuva caía lá fora,

eu voltava pensando, talvez,

que a vida não precisa de luxo

para oferecer beleza e prazer.


Às vezes basta uma mesa,

uma conversa e uma amizade,

uma garrafinha quase vazia

e um pouco de chuva na cidade.


Felicidade não precisa de ocasião:

ela aparece nas coisas pequenas,

quando a gente presta atenção...


Sandro Paschoal Nogueira

sábado, 19 de setembro de 2026

Rotina


 

Todo dia é quase igual,

A rotina não dá trégua,

O mundo parece banal,

E a mesmice nos carrega.


As mesmas ruas, os lugares,

As conversas sem emoção,

Os mesmos velhos olhares,

A mesma programação.


É chato, não vou negar,

Parece tudo repetido,

Mas a vida pede pra andar,

Mesmo quando falta sentido.


A gente sai pra espairecer,

Pra ver gente, ouvir canção,

Pra tentar um pouco viver,

Pra distrair o coração.


Um bar, uma mesa, um amigo,

Uma cerveja pra acompanhar,

Mesmo sem nada de novo,

A gente insiste em tentar.


Porque ficar só reclamando,

Também não muda o cenário,

E o tempo vai nos levando,

Sem consultar o calendário.


Então, mesmo achando chato,

Mesmo cansado de tudo,

Vamos sair desse quarto,

Conhecer um pouco do mundo.


Que a vida não é novidade,

Nem sempre tem emoção,

Mas ainda existe liberdade

Pra escolher outra direção.


E se amanhã for igual,

E o tédio vier novamente,

Que a gente enfrente o banal

Com um sorriso diferente.


Porque viver é insistir,

Mesmo quando falta prazer,

É levantar, sair, sorrir...

E dar uma chance ao viver! 🌹


Sandro Paschoal Nogueira

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Muitos

 


Há muitos de mim escondidos em meu ser,

tantos caminhos que ainda quero viver.


Sou força e ternura, sou noite e sou dia,

sou medo, coragem, desejo e poesia.


Tenho um que se esconde, outro quer se mostrar,

um fecha os seus olhos, outro prefere encarar.

Um carrega mistérios, outro busca a verdade,

mas ambos caminham na mesma vontade.


Às vezes sou homem, às vezes sou flor,

às vezes sou fogo, às vezes amor.


Não cabe em palavras aquilo que sou,

sou muitos caminhos dentro de um só.


Tenho tantas faces, mas uma só essência,

tantas diferenças na mesma existência.


E quanto mais busco saber quem eu sou,

mais vejo quantos vivem dentro de um só.


Não quero escolher o que devo parecer,

nem qual das versões o mundo vai conhecer.


Quero ser inteiro, sem medo ou prisão,

mistura de alma, desejo e razão.


E se alguém perguntar: “Afinal, quem você é?”

Eu sorrio e respondo: “Sou tudo o que eu puder ser.”


Sou ontem, sou hoje, sou sonho e sou pó,

sou muitos, muitos mesmo,

vivendo dentro de um só.


Sandro Paschoal Nogueira

Brinde

 



Uma taça na mão, um sorriso no olhar,

um amigo ao meu lado, pronto pra me acompanhar.

Entre risos e histórias, deixo a noite acontecer,

porque a vida é mais bonita quando se tem com quem viver.

Meu cachorro, companheiro, tão fiel e tão leal,

faz de qualquer simples momento algo especial.

Não importa onde eu esteja, nem a hora ou o lugar,

com ele junto de mim, sempre tenho a quem amar.

A taça traz o brilho de uma noite de emoção,

e ele traz aconchego dentro do meu coração.

Entre amigos, boas lembranças e a vida a celebrar,

faço um brinde ao presente, sem pressa de terminar.

Que venham novas noites, novos sonhos, novo dia,

com carinho, companhia, esperança e alegria.

Pois riqueza de verdade não se compra com dinheiro:

é ter amor na vida e um amigo verdadeiro. ❤️🐾🥂



sexta-feira, 31 de julho de 2026

Espelhos

 



Que o espelho te mostre, a cada manhã,

não apenas o rosto que o tempo gravou;

pois a pele se curva, a beleza se vai,

mas o brilho da alma jamais se apagou.


As rugas são cartas que a vida escreveu,

com a tinta dos risos, da dor e da fé;

quem aprende a lê-las descobre, enfim,

que o valor de um homem é mais do que é.


Não invejes o jovem que vence na pressa,

nem lamentes a força que o tempo levou;

há vitórias ocultas na calma madura,

que só quem muito vive um dia encontrou.


O espelho reflete somente a aparência,

mas a consciência revela quem és;

há quem traga um jardim escondido por dentro,

e há quem viva deserto vestido de pés.


A verdade não mora na curva do rosto,

nem na voz que procura constante louvor;

ela habita o silêncio de quem reconhece

que a grandeza floresce na raiz do amor.


Por isso, contempla-te, a cada manhã,

com respeito, coragem e serena emoção;

pois o tempo não rouba quem vive com honra,

ele apenas lapida o melhor do coração.


Sandro Paschoal Nogueira

terça-feira, 30 de junho de 2026

Expectativas

 



Há quem plante sonhos no chão da esperança,
Sem saber se a flor voltará a nascer;
Mesmo assim o coração nunca se cansa,
Pois acredita no que ainda vai acontecer.

A expectativa é um rio silencioso,
Que contorna as pedras sem reclamar;
Às vezes segue manso e luminoso,
Às vezes aprende, sozinho, a esperar.

Nem toda aurora veste o céu de cor,
Nem todo inverno anuncia o fim;
Depois da sombra renasce a flor,
E o tempo refaz o jardim.

Quem vive esperando também amadurece,
Descobre que a pressa costuma enganar;
A vida recompensa quem não esmorece,
Mesmo quando demora a chegar.

No horizonte mora a possibilidade,
Companheira fiel de cada coração;
Pois toda expectativa, quando abraça a verdade,
Transforma o amanhã em nova canção...

Sandro Paschoal Nogueira

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Vontades


 

Não é a força da idade

que faz alguém florescer;

é viver com dignidade

e nunca deixar de crer.


Não é o rosto sem marcas,

nem a juventude fugaz;

são as lutas que embarcas,

e a paz que a alma refaz.


Os cabelos prateados

não anunciam o fim;

são capítulos dourados

que Deus escreveu em mim.


Há beleza na experiência,

há nobreza em prosseguir;

quem cultiva a consciência

sempre encontra um porvir.


Pois o tempo não destrói

quem aprendeu a amar;

quanto mais a vida corrói,

mais ensina a recomeçar.


E assim segue a caminhada,

entre a esperança e a luz;

uma existência honrada

é a mais bela que reluz.


Não se mede a mocidade

pela idade a aparecer;

vale mais a dignidade

e a vontade de viver.


Sandro Paschoal Nogueira

domingo, 24 de maio de 2026

Crocodilo

 Eu já vi rio secar da noite pro dia

Já vi corrente mudar de direção

Aprendi cedo com a água barrenta

Que quem endurece perde o chão


Eu não brigo com o vento que passa

Nem bato de frente com temporal

Tem hora que o silêncio é o caminho

E esperar também é sinal


Eu vou seguindo conforme a maré

Sem me perder do que sou por inteiro

Porque nesse mundo de pedra e vaidade

Quem força demais chega por derradeiro


Crocodilo que não abana o rabo

Morre afogado no fundo do rio

Eu aprendi a seguir com a água

Sem me perder do caminho


Eu fico quieto, mas vejo de longe

Eu sou do brejo, do tempo e da espera

Meu rumo é o rio quem vem ensinar

Sabedoria é saber esperar...


Crocodilo que não abana o rabo

Morre afogado no fundo do rio

Eu aprendi a seguir com a água

Sem me perder do meu caminho


Crocodilo que não abana o rabo

Morre afogado, pode acreditar

Quem quer viver muito tempo nessa vida

Tem que aprender a esperar...



Sandro Paschoal Nogueira

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Entre luz e silêncio

 Entre Luz e Silêncio


No espelho do tempo, o rosto sereno,

há marcas da vida — nenhum desengano pequeno.

O vento dos anos passou sem pedir,

mas deixou nos olhos vontade de seguir.


A barba de prata não fala de fim,

fala de caminhos guardados em mim.

Quem viveu tempestades conhece o valor

de um gesto sincero, de paz e de amor.


Trova I


Não temo o tempo apressado,

nem seu compasso ligeiro;

quem tem o peito marcado

carrega o mundo inteiro.


Trova II


Os sonhos não envelhecem,

mudam só de direção;

às vezes até adormecem,

mas despertam no coração.


Na calma da noite, um homem contempla,

o silêncio responde aquilo que exempla.

Pois forte não é quem jamais se perdeu,

mas quem cai tantas vezes — e ainda floresceu.


Trova Final


A vida é estrada comprida,

de espinho, abraço e clarão;

quem faz poesia da vida

nunca caminha em vão.





Sandro Paschoal Nogueira

Ser poeta

 Sou poeta das palavras silenciosas,

dos sentimentos escondidos,

das lágrimas que o tempo não secou

e dos sonhos que insistem em permanecer.


Sou poeta dos amores impossíveis,

das lembranças que o coração guarda,

dos instantes perdidos no tempo

e das saudades que nunca se calam.


Escrevo porque a alma precisa falar,

porque o coração transborda sentimentos

que nem sempre cabem no silêncio.


Sou poeta…

porque viver, às vezes,

também é transformar dor em verso.



— Sandro Paschoal Nogueira

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Malandro

 


Malandro tem cheiro de noite,

de rua quente, de tentação.

Não toca, mas deixa nos dedos

a memória da intenção.

✨

Quem olha sente o risco,

quem fica perde a razão.

É calma que acende incêndio

sem pedir permissão.

✨

Ele dança parado,

provoca sem se mover.

O desejo se oferece

só de imaginar o que é.

✨

Não promete eternidade,

mas entrega o agora inteiro.

Quem cruza seu passo lento

nunca sai do mesmo jeito.

✨

Malandro não seduz —

ele deixa acontecer.

E quando você percebe,

já quis sem nem querer.


Sandro Paschoal Nogueira

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

O lobisomem de Tamandaré


 

O LOBISOMEM DE TAMANDARÉ


Pé na areia, coração disparado,

Passo apressado, olhar assustado,

Dizem que o uivo corta a escuridão,

É o lobisomem solto na escuridão.


Trova antiga que o povo repete,

Entre um gole e outro de aguardente:

“Se ouviu uivar, não fique a olhar,

Corre pra casa, vai te pegar!”


Metade homem, metade fera,

Maldição antiga que nunca espera,

Quando a lua cheia vem clarear,

Em Tamandaré ele sai pra caçar.


Mas há quem diga, rindo baixinho,

Que o medo é maior que o próprio caminho,

Pois o monstro vive mais no falar

Do que nos passos que vão te pegar.


Ainda assim, se a noite chamar,

E o arrepio subir sem avisar,

Reza, corre e não olha pra trás…

Vai que o lobisomem corre mais!


Quando a lua sobe mansa no mar,

Tamandaré começa a se escutar.

Não é só uivo, não é só temor,

É a alma chamando quem se esqueceu do amor.


O lobisomem não corre na rua,

Ele desperta quando cresce a lua.

Mora no fundo do peito humano,

No instinto antigo, no medo arcano.


“Vai me pegar”, diz a mente em aflição,

Mas quem persegue é a própria emoção.

É a sombra pedindo para ser vista,

Não como fera, mas como conquista.


Metade luz, metade escuridão,

Somos todos essa divisão.

Homem e bicho num mesmo olhar,

Aprendendo quando é hora de uivar.


Se você foge, ele cresce em poder,

Se você encara, começa a se dissolver.

Pois o lobisomem, ao se revelar,

Quer apenas ensinar a integrar.


E quando a lua enfim se deitar,

Você entende sem precisar falar:

Não era ele que vinha te pegar,

Era você chamando pra se libertar


Sandro Paschoal Nogueira

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Encontro


 

Saio sem mapa...

Sem promessa no bolso...

A noite aberta...

Um talvez no olhar...

Não espero milagres...

Só deixo o vento decidir onde vai dar...


Levo expectativas leves, quase nada...

Pra não pesar o passo...

Nem o coração...

Se vier riso, ótimo.

Se vier estrada, que seja  canção...


Talvez um encontro...

Talvez o vento...

Um bar qualquer...

Conversa sem fim...

Ou talvez apenas um simples momento...


Vou assim: “vamos ver o que acontece”,

Sem cobrar do mundo...

Sem pedir um sinal...

Porque às vezes é quando a gente não espera...

Que a vida resolve surpreender no final. 


Sandro Paschoal Nogueira

Lampejos


 

Ele não bebe pra esquecer,

bebe pra lembrar do desejo,

cada gole é um lampejo

do que insiste em acontecer.


O olhar promete e não fere,

Deixa rastro no chão.

A noite sussurra pecados antigos

e ele brinda aos inimigos


Não pede amor, nem perdão,

oferece presença inteira

Boêmio não por costume...

Há corpos que são origem

do incêndio que ninguém assume.


E no fundo do copo escuro

não mora o fim, nem a fuga —

mora um homem que seduz

sem pressa, sem culpa


Na luz fria da calçada,

um olhar firme, sem pressa,

o tempo passa — não pesa...

Há silêncio que revela

mais verdade do que a brisa.


Entre flores da camisa

e o brilho discreto do anel,

O copo erguido não é fuga,

é brinde à própria história...


No rosto, a noite repousa,

não como sombra ou cansaço,

mas como quem fez do passo

um verso que não se ousa.


Quem olha vê só a imagem,

quem sente entende o sinal:

há homens que viram poema

sem pedir permissão ao final.


Sandro Paschoal Nogueira

domingo, 28 de dezembro de 2025

Amor de mentira


 

Amor de mentiras...

Feito de promessas impensadas...

Enquanto m’enganava a esperança...


Sonhos de olhos abertos...

Entre idéias e espíritos que pairavam...

Entre o lá e o cá...

Nas ansias mortais e das angústias que palpitavam...


Errante, ao turbilhão dos ventos...

Houve perfumes d’amor...

Houve doces venenos d’alma...

Entre destinos que já não me oferecem o acaso...

Razão tive, de viver bem magoado...


No duro aprendizado fiz-me escravo...

Ceguei-me...

Diante tanta ansiedade...

E desse que era meu já me não lembro…

Labirinto de um cego encantado...


Que a mim Deus então me salve...

De incômodos, de penas, de cansaços..

Desse sonho secreto e fascinante...

De meus olhos buscando os teus por toda a parte...


Sandro Paschoal Nogueira

domingo, 12 de outubro de 2025

Brigas


 

Dois corações, duas almas,

Duas personalidades, que se calam.

Amor que arde, briga que se faz,

Depois a reconciliação, uma nova paz.


Olhares que se cruzam,

Mas também se desviam,

Quando a dor fala mais alto, o coração se esvazia...


A noite é escura, mas há uma luz,

Que ilumina o caminho, e nos conduz.


Ele me ajuda, eu o apoio,

Eu o amo, ele é meu refúgio.

Eu o mando embora, mas ele não vai,

Porque o amor é forte, e não se rende jamais.


E se for, choro e sofro,

Mas o amor é mais forte, e eu o encontro.

Quero mais, quero tudo,

Uma história que se escreve, com altos e baixos, mas com amor profundo.


É o que me disseram, que o amor sempre vence,

Mas eu não acreditei, até que o meu coração se rendeu.

Onde fui tão sincero, e me entreguei,

Encontrei o amor, e meu coração se aquietou.


Sandro Paschoal Nogueira

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Degredo


 

Surgi coberto de silêncio...

Antes que soprasse a ventania...


Durmo talvez agora...

Alegria sem causa...

Volúpia de encontrar...

Prazer de abandonar...

Velhas ilusões...

Pequenas traições...

Injusto mal...

Nova amargura...


Meu coração não aprendeu nada...

Meu coração está perdido...

Unica estrella d’esta noite escura...

A dar-me este degredo por cumprido...


Sandro Paschoal Nogueira

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Despertar


 

Dei-te os dias...

Deite-te as horas e os minutos...

Destes anos de vida que passaram...

Ficamos nas paredes do vento...


Contamos as desilusões do coração...

Vivemos na esperança...

Mas fui pedra lançada em teu caminho...

E vi no espelho, a dura lição...


Cantei em coros de ilusão...

Mas a melodia se desfez no ar...

Perdi o rumo, a direção,

Num mar de sonhos a naufragar...


Depois…

Ah....Sempre depois...

Depois a verdade...

A fria realidade...

Olhei...

E daquele sonho despertei...


Não há mais véus, nem doce engano...

A alma nua, sem recuar...

O antigo "nós" é um plano insano...

Que já não pode mais brotar...


Desfizera-se a mentira...

Restou-me a certeza fria...

Hoje é quem eu sou...

Quem de quem fui?


Nada me prende a nada...

A liberdade que me guia.


Sandro Paschoal Nogueira

Amanhã


 

Nem um som...

Nem um grito...

Nem um ai...

O dia corre...

A noite se debruça...

Tudo mais passa...

O vento varre as flores no chão...


Que este destino em que venho...

Um alento que tenho...

Recomece sempre de esperança...

Junto ao brilho das estrelas...

Aonde os  sonhos se alcançam...


Paz sem vencedor...

Paz sem vencidos...

Se te fiz mal que conte-me as mágoas geradas...

Mostre-me tuas feridas...

Tuas roupas rasgadas...


Só eu sei de meus enredos e de  minhas agonias...

Meus loucos desejos...

Minhas estranhas fantasias...


Não me julgues,  pois a ti não me atrevo...

Taça cheia que ninguém ergue da mesa...

Não beba desta volúpia...

Sobre mim não te engrandeças...


Há verdades nas sombras...

E mentiras na luz...

Há silêncio de morte que também seduz...


Até quando?

Até quando...

Irei esperar em meu desespero...

Até quando sufocará o grito de meu peito?


Porque um só tempo é o nosso...

E o tempo é hoje...

Se não é submissão...

Já tarda a revolta...

Não demores pois então...


Veja...

O amanhã está à porta...


Sandro Paschoal Nogueira

domingo, 8 de junho de 2025

Espera


 

Eu não sofro, meu amor...

Espero-te apenas...


Os ventos me arrastam...

Não é fácil amar o vencido...

Amo e não sou amado...


Onde hoje me sentei a perguntar...

Que sortilégio a mim próprio lancei?

Tenho esta contemplação...

Mas não chego a desfazer...

Das velhas ilusões que achei no meu caminho...


No desolado coração...

O vácuo mudo adormece o meu  pensamento...

Porque na noite, farto de sofrer…

Interrogando o destino...

A sua sombra escondida...

Procuro e não encontro...


E perante esse abismo...

Da única realidade no momento possível...

Escondendo os meus gritos...

Continuo a te esperar...


Sandro Paschoal Nogueira

segunda-feira, 2 de junho de 2025

Escorpião


 

Libidinosas noites tive...

Ingênuo tal qual escorpião...

No abraço do meu inimigo encontrei...

Mais afeto que a um irmão 


E andei por todo um mundo...

E pelo menos pensei...

As imagens que as vi...

Por tantas encontrei ou tantas outras que perdi...


Não sei se ainda estou...

No que fiquei a sonhar...

Em névoas que adormeci...

Será que despertei alguma verdade ou com mentiras me cobri?


Ando já sem descansar...

Na vida  sem dormir...

Anseio que rasga o meu peito do que já vivi...

Daquilo que eu quero...

De tudo que já não sinto...

De tudo que já senti...


Tudo quanto eu pedira...

Tudo quanto ambicionara...

Tudo quanto pouco ou muito eu amara..

Com que ergue-se o destino...

Entre o tudo e o nada...

Da sorte desejada...

Ou da que está por vir...


Tanto andei...

Em estradas que julguei sem fim...

Lugares deserdados...

Sempre sonhando,  tendo fé...

Pouco desisti...


Nada sei...

Nada valho...

Entre tantos embaraços...

Será que muito ou nada faço?


De tanto que me arrependi...

E que faria ou não novamente...

Tudo amo...

Pouco compreendo...

Assim como tu...

Apenas sigo...

Um pouco...

Aprendendo...


Sandro Paschoal Nogueira

quarta-feira, 23 de abril de 2025

Despedidas


 

Se me deixares, eu te digo...

Que neste mundo de enganos...

Eu não fui enganado...

Mas tive contigo um bom tempo...

E neste tempo fui amado...


Mas tenha para comigo...

Assim como terei para contigo...

Somente boas lembranças...

E de um novo recomeço...

Que agora, com fé,  persigamos...


Falei e tudo fiz de quanto amei...

Das coisas que recebi e também dei...

O sonho passa...

E após a insistente dor...

Novos sentimentos nascem...


Se tanto me dói que as coisas passem...

É porque cada instante em mim foi

muito vivo...

E o tempo já passado...

Por nós nunca seja esquecido....


Sandro Paschoal Nogueira

Cuidados


 

Contei-lhe minha história e para ti fiz nascer poemas...

Coração solto em terra ímpia a florescer...

Da ilusão por mim criada só tive algemas...

Onde aprendi a sofrer...


Todas as portas já cerradas...

Todas as ruas vazias...

Vejo as estrelas a chorar...

E até,  quem diria...

Não é mais bela a lua...

É só uma luz fria...


No jardim das almas...

Ninguém acompanha meu caminhar...

Saudade ou aspiração?

Deixei minhas virtudes cair ao chão...


Cansei de tanto oferecer...

Do que não há de voltar...

Do tempo que há de chegar...

Castigo inexpiável...

Tamanho é meu parecer...

Para ter meus sonhos realizados...

A quem devo obedecer?


Para quê a busca das coisas?

Quando por fim tudo acaba?

Valerá a luta da conquista...

Onde ainda se crê e se ama ainda?


Sim, é certo...

Quem eu amo...

Agora zomba e ri do meu amor…

Em tudo o que fiz pus o cuidado...

Será possível mesmo o fim de tudo?

Restando-me só ausência e dor?


Sandro Paschoal Nogueira

domingo, 13 de abril de 2025

Babel


 

Tenho os lábios secos...

Arde-me a cabeça...

Tenho febre...

Vejo o presente, e também o passado e o futuro...

E tudo me assusta...


Já nem sei mais o que digo...

Penso em deixar de pensar...


Trago perdido o que o espelho não mais retrata...

Sem o cortejo das estrelas...

Sem o que me enfeita...

Inocência...

Aonde deixei ficar?


Vens oh lua...

Espantas com o teu clarão as sombras que me perseguem...

Todos os lugares são o mesmo...

Com um coração que tem que pulsar...

Dizer a Verdade quem poderá? 


E do esquecimento inviolável...

Nas trevas sondo, fixo e absorto...

Interrogo o intrépido destino...

Além das cousas transitórias...

Das paixões e das formas ilusórias...


Em meu refúgio...

Continuo sonhando...

Onde me perdi...

Também me encontrei...

E dos cálices de absinto que bebi...

Nessa Babel velha e corrupta...

Muitos outros sei...

Que ainda os beberei...


Sandro Paschoal Nogueira

domingo, 23 de março de 2025

Inconstância


 

Deixados sobre a mesa...

Como os homens vivem...

Nem os deuses socorrem...

Os sonhos, as esperanças e ilusões...

Como um deserto imenso...

De conversas vãs...


Da enorme dor humana...

Que todos fingem não ter...

A essência de ser e parecer...

Conduz ao purgatório...

Sem ninguém perceber...


Vácuo imenso e fundo...

Eterna busca...

Inconstância do homem de ser...

Responde sorrindo à cruel realidade...

Enquanto perde-se no horizonte...

Acreditando crer...


A terra cumpre sua promessa...

De tornar a todos iguais...

O bom, o mal...

Quem riu, quem amou...

Que chorou os seus ais...


Nem este falso silêncio...

Sobre os ombros nus

e esmagados...

Nem o luar...

Pode esconder os pecados...


Raro e vazio dia.

Noite desamparada...

O momento é tão fulgaz e rápido...

Até para o mais amado...


Sandro Paschoal Nogueira

sábado, 15 de março de 2025

Perdido


 

Me fizeste sofrer e esperar...

Quando as emoções me afogavam...

A namorar as estrelas...

Pelas desertas ruas...


Quantas e quantas vezes...

Embriaguei-me te esperando...

E na surdina sem te encontrar...

E já descrente perdi-me com outros em qualquer outro lugar...


Cada um sabe o quanto que está sozinho...

E olha a tudo com olhos de sonho...

E aspira em silêncio os próprios ais...

Fazendo de conta ser tão feliz...

Enganando-se e querendo mais...


Oh dôce luz...

Oh lua que me contempla...

De engano em desengano...

Sou do que fui...

Um reflexo vago...


Confesso...

Entrego a ti meu abandono...

Em suas mãos me entrego...

Entrego a ti...

Porém, eu me dedico...

E prometo-me amar sem fim...


Mas não me faça...

A ti tanto esperar...

Já por destino derradeiro...

Podes perder-me...

E nunca mais me encontrar...


Sandro Paschoal Nogueira

Diabo loiro

 



Gemendo, a terra inteira...

Por onde o sonhador passa...

Fizeste-me mil maldades...

Com que a sua alma se alimenta...


Porque verdadeiramente sentir é tão complicado?

Como o mal feito está feito...

Agora a ti...

Verei como degradado...


Que somente a mim...

Andando...

Fingindo-me enganado...

Sobrevivi...

A tua falta de cuidados...


Amigos que pensam confundir-me

Eu tenho pena...

Que tentam destruir-me...

O mal por si, aviso, não se sustenta...


De haver falhado em  tudo...

Como tropeçar no capacho...

Que esconde as sujeiras do mundo...

Erro ao acaso...

Será o fado?


À imagem do meu próprio desejo...

Ser tolo é uma arte...

Abrigar fel no peito...

Até tanto que não sente...

Enquanto arde...


Pastoreando hei de viver...

E o diabo loiro, como me chamava...

Há de prevalecer...


Sou eu, eu mesmo...

De tudo qual resultei....

Fizeste por ti merecer...

Mudei...

Passei...

E sem ti descobri...

Que posso bem viver...


Sandro Paschoal Nogueira

quarta-feira, 12 de março de 2025

Preto e branco


 

Todo esse tempo que lá vai...

Vejo passar a minha vida...

Em preto e branco...

Em branco e preto...

Por alta noite...

Quando não ouço um pio...


Os meus amigos onde estão?

Que batam à porta...

Façam-se chegar...

Mas apenas espero você...

Por onde andarás?


Vem...

Destruir o silêncio...

Levantar os panos...

Limpar o espelho...

Que de tanto o fitar...

Preto no branco ...

Cinza está...


Deixada sobre a mesa...

Cheia de negra poeira...

A estrela por ti colhida...

Se empequena...


Tudo está lá fora...

E tanto aqui dentro quero...

Sentado...

Aqui espero...


E ponho-me a olhar suspirando...

Aguardando que se abra a porta...

E eu, que não sou mais do que isso...

É só isso o que me importa...


Tendo idéias e sentimentos por os ter...

Do que julgo que sou…

Do que anseio ser...

Sei que nada sou...

Quando estou longe de você...


Sandro Paschoal Nogueira

Por quê?

 



E vinha vindo a noite por entre os pinheiros...

E vinha a sonhar...

E perguntava-me ...

Por que te devo amar?


Porque há vida...

A doer com as mágoas...

A rolar as lágrimas...

Por que andas de repente...

Entre idas e voltas...


Dos que esperam a luz...

Em densas trevas...

No vácuo mudo...

De um desolado coração...

De quem não espera...

A sua compaixão...


Do esquecimento inviolável...

E olvida, como quem está já morto…

E, interrogando o destino...

Sente desconforto...


Verdade...

Qual delas?

Que estão além das cousas transitórias. ..

Correr do tempo onde o amor se perde...

Para onde vais...

Sem eu poder ficar?


Sandro Paschoal Nogueira

domingo, 23 de fevereiro de 2025

Estranhezas

 



Não há rumor na terra....

O silêncio se abriu...

As feras se aquietaram...

Em direção ao pó os corações jazem nas sombras...

De mãos em arcos os anjos oram...


Onde estão os inocentes?

Aqueles apontados por dedos tortuosos...

Cadê as flores que foram pisoteadas pelos hipócritas?

Onde estão as vozes que foram silenciadas pelas bocas amaldiçoadas?


Ao levantar do vento...

De ser todo só o meu exterior olho e choro...

Mesmo que eu ouça só esse estranho zumbido...

Vendo cair os pássaros...

Em meu coração emudecido grito...


Nas pessoas que passam na rua...

Com elas não me identifico...

E só lamento...

De ver o amor tornar-se perdido..


Cada um perdido no próprio sonho...

Até no sorriso que vem e que vai...

Todo mundo é convicto...

Dos próprios ais...


E eu, que não sou mais do que eles...

Volto a olhar para tudo...

Como antes do amanhecer...

E faço-me, assim crer...

Que bastaria apenas mostrar...

Minha alma num olhar...

Para tudo diferente acontecer...


E o mais estranho do que todas as estranhezas...

É que as cousas sejam realmente o que parecem ser...


Sandro Paschoal Nogueira

Buscas

 



A namorar as estrelas...

Traz luto nos seus vestidos...

Anda sempre a imaginar...

O que está sempre a sonhar...


Contente do instante...

Faz dos desejos um mirante...

No peito entrelaça...

A vontade de expandir suas asas...


Enche de força o coração...

Quando não lhe dão outra opção que um não...

Sussurra ao vento...

O que lhe diz o coração...


Sonda, fixo e absorto...

Desprezando  o seu tormento...

E interrogando o destino...

Busca seu momento...


Sabe que nada está além das cousas transitorias...

Das paixões e das formas ilusórias...

É a senha da sua vida...

No transcorrer das horas...


Foge e esconde...

E se tarda o encontro e não encontra...

Chora e ri da própria sorte...


Sozinho e acoplado a outros sozinhos...

Anda pelas ruas de espírito despido...

No gesto, no calar, no pensamento...

Finge estar desatento...


Uma presença...

Uma saudade...

Uma vontade...

E assim caminha...

Sonhando tocar as estrelas...

Desejando a eternidade...


Sandro Paschoal Nogueira

Aprendizado

 



Não falarei de minha poesia.

Não rimarei minha angústia...

Não direi que o mundo vai acabar...

Não direi da vida persistente que renasce...

De todos os truques...

De todas as formas de amar...


Sabes tu dizer que não?

Reprimir os maus, fazer aos bons justiça?

Sua ocupação dormir, comer, trepar...

Ignorância, desmazelo, incúria...

Hipocrisia que finges não ter...

A quem contigo não preocupas...

Mas que desejas agradar...


Todo esse tempo que lá vai...

Vejo passar a minha vida...

O que construí...

O que tenho...

O que senti...


Fecho as portas...

Fumo, e às vezes choro...

Tenho amigos que pensam confundir-me...

Outros tantos jurando me enganar...


A noite negra, irmã do desespero...

Faz-me apelos...

Adormecendo o pensamento...

Escondendo meu sonhar...


Importa amar, sem ver a quem?

Por mim, bem sei...

Que hei-de aceitar o que vier...

Embriagado os sentidos...

Não hei de recusar...


Tantos que vivem sobrevivendo...

E pergunto o sentido de tal sofrimento...

Nesta localidade da cidade…

Onde vejo tantos copos cheios...

Tantos jovens drogados...

Buscando algum sentido...

De crescer em alma e espírito...


Fujo da morte...

Embarcando à vida...

Enquanto me sussurra o vento:

-Tudo faz parte de seu espaço e tempo..

-Tudo é um aprendizado...

-Deleite-se nesse singular momento...


Noite perdida...

Quiçá o dia será encontrado...

E sigo minha estrada...

Enquanto medito sobre o dito...


Perante esta única realidade...

Perante meu abismo...

Cujos olhos me fitam...

Sufoco o angustiante grito...

Será somente isso?


Natureza diáfama...

De tantas almas...

De tantas histórias...

A eternidade seria assim?

Viver a cada uma...

Um constante experimentar sem fim?


Sandro Paschoal Nogueira

Obrigado


 

Muitas vezes te esperei...

Perdi a conta...

Nada me importava...

Mas tu enfim me importavas...

Bem mais do que as estranhas horas...


No meu mundo interior ...

Tivesse mais que perder...

Tanto pó acumulado...

Optei por fechar, do coração, a porta...

Deixaste meu espírito conturbado...


Em mim se despojou todas as jóias raras...

Nem ave canta...

Nem mais susurra o vento...

Erros e cuidados...

Perdidos momentos...


Quando quis me deu de graça...

Mas é caro o seu barato...

Depois que minha esperança morreu...

Me vi contra o tempo ingrato...


Ah como eu quis tanto amar...

Enquanto tu apenas brincar...


Deixaste perder o quanto tinha...

Tudo pus em suas mãos...

Fizeste de conta que não sabia...

E enquanto eu sofria...

Perguntava-me o que eu queria...


Do que dei da vida minha...

De ti ingratidão eu recebi...

Antes que nada me deste...

Só tua fútil e vazia companhia...


Tento reconstruir na minha imaginação...

A ilusão destes dias...


Cada um sabe que está sozinho...

Ah, perante esta única realidade...

Digo que muito aprendi contigo...

Diante do que agora sinto...


Obrigado...

Ensinaste-me a viver...

E agora o que tenho em meu olhar...

Tu nunca irá compreender...


Sandro Paschoal Nogueira

domingo, 16 de fevereiro de 2025

Estranheza

 



Não há rumor na terra....

O silêncio se abriu...

As feras se aquietaram...

Em direção ao pó os corações jazem nas sombras...

De mãos em arcos os anjos oram...


Onde estão os inocentes?

Aqueles apontados por dedos tortuosos...

Cadê as flores que foram pisoteadas pelos hipócritas?

Onde estão as vozes que foram silenciadas pelas bocas amaldiçoadas?


Ao levantar do vento...

De ser todo só o meu exterior olho e choro...

Mesmo que eu ouça só esse estranho zumbido...

Vendo cair os pássaros...

Em meu coração emudecido grito...


Nas pessoas que passam na rua...

Com elas não me identifico...

E só lamento...

De ver o amor tornar-se perdido..


Cada um perdido no próprio sonho...

Até no sorriso que vem e que vai...

Todo mundo é convicto...

Dos próprios ais...


E eu, que não sou mais do que eles...

Volto a olhar para tudo...

Como antes do amanhecer...

E faço-me, assim crer...

Que bastaria apenas mostrar...

Minha alma num olhar...

Para tudo diferente acontecer...


E o mais estranho do que todas as estranhezas...

É que as cousas sejam realmente o que parecem ser...


Sandro Paschoal Nogueira

sábado, 4 de janeiro de 2025

Pastoreio


 

Há de viver, pastoreando...

Com coração jovem, ousado e arejado...

À coroa de espinhos dos sentidos...

Onde o luar o banha...

Suavemente ofendido...


No silêncio sob os lábios frios...

Ninguém está a escutar...

O sacro se mistura ao profanos...


O tato que devora, sem dó nem piedade...

No dispersar dos anos...

Perde a consciência...

Sem hora, nem idade...


Na madrugada que ronda...

Sem rumo, sem afronta...

Fatigado de estar, sem força, nem fumo...

Sob tudo que fez, sem glória nem fama,

Do medo que perdeu, sem dor nem chama...


Quando a noite vem...

Com sombras profundas...

Por Deus, pelos Poetas, pelo mundo, clama...

Eu a si pergunta:

-Valeu?

O silêncio responde...

E o eco da voz, sem resposta...

Se desfaz ao vento...

Que o abraça...


Em meio à escuridão...

Sem luz, nem guia...

Busca respostas...

Mas só encontra sombras frias...


Só o eco dos seus passos...

Sem destino, nem meta...

E o vazio que o  consome...

Sem paz...

Sem ser clemente...

Para ele, de frente, sorri...


Na solidão da alma...

Onde sombras dançam...

Procura a luz...

Procura colo...


Mas só encontra trevas que o cercam...

E ainda assim, continua buscando...

Um sentido...

Uma razão para viver...

Para sonhar...

Para ofuscar o seu sofrer...


Sandro Paschoal Nogueira

sábado, 28 de dezembro de 2024

Que horas são?

 



Que horas são?

Hora dos abandonados...

Hora dos degredados...

Hora dos apaixonados...

Hora dos que andam à noite...

Hora dos papos furados...

Hora dos perdidos,  desavisados...

Hora dos mal acompanhados...

Dos que buscam encontrar...

E não são encontrados...


Que horas são?

Hora em que o tédio abate sem cessar…

Hora das conversas vazias...

Das conversas dos bêbados em sofreguidão...

Hora daqueles que escondem suas tristezas , de sua solidão...

É a hora que vejo tantos sorrisos...

E que percebo tantos corações contritos...


Que horas são?

Hora dos que morrem sem amar…

Hora daqueles sempre a procurar...

Hora dos que se entorpecem...

Dos que gargalham alto...

Hora dos copos cheios...

Dos trabalhadores assalariados...

Que escondem sua insatisfação...

Hora das mesmas mesmices rotineiras...

Das almas e sombras alheias...


Que horas são?

É a hora de quem sonha...

De quem a tudo ama...

De quem tem a inocência...

De planejar e poder crer...

Que tudo será bom...

Mesmo que nada aconteça...


Que horas são?

É  a hora do mistério...

De acreditar que tudo será bom e diferente...

E que no meio de tanta gente...

Hora que o doente...

Pede para sarar...


Que horas são?

Hora da saudade...

Do flete sem maldade...

E se há, disfarça...

Hora das sombras que se formam...

Dos hipócritas cheios de santidade...

Perante a realidade...

Que fingem ignorar...


Que horas são?

Das conversas vazias, sem precisão...

Hora perante o que os homens fazem...

Escondendo-se atrás da sobriedade...

De todas as vidas, abstratas ou concretas...

Verdadeiras ou falsas...


Eu sofro sem penar a vida...

Parado no cais de onde nunca parto...

Ao acaso, sem âncora...

Vagando no tempo...

Apenas sonhando...

Em ser mais amado...


Sandro Paschoal Nogueira

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Surpresa

 



Digo que não...

Mas eu tenho...

Farto de pão...

Ando faminto...

Digo verdades...

Também muito minto...


Sou aquele do espelho...

Nem de todo bom...

Nem de todo mau...

Nem perfeito...

Nem amoral...


Trago comigo...

O desejo do que digo...

O tempo me rói...

E faz-me embaraçar...

Mas nunca desisto...

De poder sonhar...


Entre a vida e a morte...

Há apenas um simples fenômeno...

Sem saber o que seremos...

Sabemos o que fomos...


Aventura prolongada...

Da lágrima que rola...

De quem se deita com o inimigo...

Contando as horas...


Eu não bebo ambrosia em taças cristalinas...

Bebo um vinho qualquer...

Acompanhando-me a fantasia...

Disfarçando um sofrer...


Procuro-te...

Clamo por ti...

E o teu nome me ilumina...

Eu sei que há diferenças...

Mas não quando se ama...

E isso é o que me facina...


Antes certo...

Do que errado...

Melhor o silêncio...

Do que perder o passo...

Mas se erro...

Corrijo no ato...


Então assim me entrego...

Surpresa e não surpresa...

Vamos e vimos...


Na delícia nua da inocência...

Sou assim...

E assim eu vivo...


Sandro Paschoal Nogueira

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

Tramas

 



Vinho que não é meu...

Das tramas urdidas do destino...

De asas que em certas horas palpitam...

Da teia que me encontro e não sinto...


Bebendo em honra aos inimigos...

Desta audácia,  que dentre vós,  me permito...

Dos homens com fronteiras limitadas...

Que não saem do sepulcro ao mundo dos vivos...


Vinho que não é meu...

Gosto amargo que sorvo com carinho...

Súbito...

Certamente pensariam:

Ali vai um esquisito...


Correram as cortinas e construíram...

Um palco em desalinho...

Para fazer do bobo da corte...

Somente de zombarias o motivo...

Porém contudo há de ser...

Verão a mim sorrindo...


Quem fui não me lembro...

Quem serei não me interessa...

Tudo é orgulho e inconstância...

Que se inspira em mim a crença...

De que tantos vieram e se foram...

Quantos ainda verei mais?


No silêncio da noite...

No fragor do vento...

O vinho amargo que me ofereces...

Só me fortaleces...


Bebo a ti e a todos...

Sem pudor...

Sem querências...

Terás, enquanto a mim...

Uma alma a todo  gosto...


Farei das cinzas frias...

O meu jardim...

Mais lindo...


Sandro Paschoal Nogueira

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

Mentiras


 

Aqui onde se espera...

Sempre um lenço de despedida...

Em alma que flutua...

Na luz órfã do dia...


São certos os abismos...

Escondendo os perigos...

Da mentira que roda e enlaça...

Sufocando toda graça...

Do falso amor sentido...


Descobre-se impaciente os recados...

Sentado à mesa dum café passado...

Pega-se pensando e quando socorreste o miserável...


Percebesse estar só e só ter criado embaraços...

Talvez não suspeites...

Que na verdade nenhum lugar ocupastes...

Apenas distraites...

Com o que não te pertences...


Na escuridão que procura e adormece...

Rolando o leito que se aquece...

Nenhum conhecido que tivesse...

O amor que o pegue criado...


Terra assombrada que lhe é devida...

Cuja vida é água a correr...

Para a fronteira fechada...

Enganando-se a sofrer...


Aproveitar o tempo...

Tirar da alma os bocados...

Antes só...

Que mal acompanhado...


Sandro Paschoal Nogueira

sexta-feira, 15 de novembro de 2024

Cais


 

Eu sou o reflexo de mim mesmo...

Fragmentos de sonhos...

Um espelho quebrado...


O que fui, o que não fui, tudo isso sou...

Um mosaico de erros e acertos, em movimento...


A vida me moldou, com mãos de vento...

E eu me dei conta, de que sou frágil e flexível...


Aceito as curvas, os altos e baixos...

E aprendo a dançar, com os pés descalços...


No alento da existência, eu me encontro...

Alma flutuante, entre engano e desengano...


Mas ainda assim, eu sinto,

Que há uma luz, que me guia e me sustenta...

A rir, desnudo de sonhos não realizados...

No cais de onde nunca parto...


Sandro Paschoal Nogueira

terça-feira, 5 de novembro de 2024

Contemplativo

 



Vivo a vida, sem amarras...

Sinto o vento, sinto a liberdade...

No silêncio, encontro meu ser...

Vida introspectiva, momentos de saber...


Não quero perder a espontaneidade,

Deixar que a vida se torne rotineira.

Lanço olhar para o horizonte,

E vejo um mundo cheio de possibilidades...


São tantas as aventuras, tantos os sonhos...

São tantas as camadas, tantos os mistérios...


Coração alegre, alma livre.

Vivendo no abandono imposto...

Melhor assim...

Não sinto o pesar dos anos...


Sigo em frente, com liberdade e ousadia...

Porque a vida é um presente,

Um labirinto, cheio de desafios...


Mas não me perco, não me desvio...

Não me preocupo, não me atenho...

Possuidor de um coração  contemplativo...

Nunca desisto...


Sandro Paschoal Nogueira

Tudo que preciso


 

Olhos de fogo, alma revolucionária...

Sorriso adormecido, sonho esquecido...


Cidade pequena, ruas desertas...

Sorriso desafiador, sonho libertário...

Murmúrios de revolta, línguas libertas...


Talvez eu não saiba quem sou...

Sob olhares de mim mesmo, sombras reveladas...


Talvez eu seja mais do que pareça...

Sob olhares de desdém, sorrio com ironia...

Respondo com coragem...

Quando o medo me desafia...


Silêncio que me envolve...

Aonde encontro a verdade...

Tudo que preciso, está dentro de mim...

Sem máscaras, sem cadeias...

Apenas ser, apenas existir...

Para encontrar-me, para ser livre"


Não preciso de nada, não quero mais...

Apenas eu, apenas vida..."


Sandro Paschoal Nogueira

quarta-feira, 30 de outubro de 2024

Em teus olhos


 

"Em Teus Olhos"


Em teus olhos, um universo se abre...

Um mundo onde me perco de paixão...

Sinto que estou vivo, em teu amor...

Vibrando  meu coração...


A tua pele, um sol que me aquece,

O teu toque, um fogo que me consome.

Em teus braços, encontro meu refúgio,

E sinto que estou em casa, com você.


Rio profundo,

Que nos leva ao mar do infinito.

Duas almas, que se encontram,

E se perdem no amor, sem limite.


Em teus olhos, vejo o futuro,

Repleto de amor e luz.

Ao teu lado,

Para sempre,

O amor nos conduz...


Sandro Paschoal Nogueira

quinta-feira, 24 de outubro de 2024

Sonhos de louco


 

Tenho sonhos de louco...

E o meu desejo canta

Sonoro e profundo...


Vejo tesouros sem conta...

Amarguras, de dor, de desenganos...

Amores cegos e profundos...


Guardei segredos...

E tive medo...


Porém dizes que não te quero…


E eu te pergunto...

A quem devo tudo o que fiz?


As poesias mais belas...

Apenas olhares receosos...

Como o silêncio dos mudos...


E logo a noite corre...

E os dias seguem de fato...

E arde-me o peito...

De amar-te e ti estar preso...


Sandro Paschoal Nogueira