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domingo, 30 de julho de 2023

Sonhos

 



Sonhos estão fora de moda...

Construir castelos sem nos ventos pensar...


Mas não desisto...

E sigo...

Lá vou eu, nas minhas tentativas...

Quero mais é sonhar...


Tiro um arco-íris da cartola...

Abro minhas asas...

Caminho sobre as estrelas...

Vivo com desejo de amar...


Neste mundo de liberdades...

Em que tudo pode, tudo é permitido...

Tudo que se começa...

Já tem hora para acabar...


Sou pessoa de dentro para fora...

Quando sonho, sonho alto... Estou aqui é pra viver, cair, aprender, levantar...


O problema em ser intenso...

É que intensidade assusta, afugenta, oprime...

Quem tem medo de se dar...


Amanhã, já me reinventei...

Não me dou pela metade...

Não desisto de sonhar...


Sandro Paschoal Nogueira

sábado, 22 de julho de 2023

Às vezes...


 


É muito longe e tão tarde...

Sem inspiração estou agora...


Há uma doce luz no silêncio...

Às vezes nos falta esperança...

Às vezes perdemos nossa fé...

Às vezes estamos sem rumo...

Às vezes a dor nos faz chorar...

Às vezes descobrimos que precisamos acreditar...

Às vezes a amizade era apenas conveniência, oportunismo...

Às vezes as pessoas que amamos nos magoam...

Às vezes as pessoas nos traem sem nenhuma piedade...

Às vezes o amor nos machuca profundamente...

Às vezes queremos parar de viver...

As vezes algo toca nosso coração...

Às vezes alguém entra em nossa vida, e se torna o nosso destino...

Às vezes você se toca...

E percebe que poucos te disseram que te ama...

E muitas vezes só queriam transar contigo...

Às vezes você pode descobrir que quem mais te amou nunca te disse isso...

E por tanto te amar...

Não sentiu necessidade de dizer...

Fez tudo por você...

Às vezes a felicidade pode demorar a chegar...

Mas o mais importante é que ela venha...

E que te encontre...

O importante é nunca deixar de sonhar...


Sandro Paschoal Nogueira

Necessário


 


A maior necessidade do homem é sentir que é necessário...

É estranho...

Estamos continuamente à procura de quem precise de nós...

Assim, nunca conseguiremos repouso...


Um certo significado...

Cavalgada solitária pelos caminhos desertos...

Aperta-me para sempre...

Sob as noites que adormecem-me debaixo dos olhos...


Sentirmos que o tempo corre...

E nada podemos fazer...

Nem contra...

Nem a favor...


Eu fico aqui, a olhar-te a pensar no quanto te quero...

Todo o meu corpo se vem quando estás a chegar...


O amor é uma renúncia...

Amar alguém é desistir de amar outros...


Sandro Paschoal Nogueira

Paixão


 


Quanto dura uma paixão?

Uma paixão não dura nada... Apenas dura a eternidade do sorriso que te cativa...

No fim de um dia...

No meio da madrugada...


Depois...

A alegria se torna amarga...

Caco de vidro que sob o sol...

Cintila e se apaga...


Agora...

Na superfície da luz procuro a sombra...

Seguirei a estrada...

Não deixarei para depois...


Abrirei as janelas de minha alma...

Para que entrem as estrelas...

Na rua, onde os ventos se cruzam, quem sabe, talvez...

Outra paixão desponte...


Os destinos se decidem...

A vida que tudo arrasta...

Arrasta os amores também...


Veneno absorvido pela ingratidão...

Vieste...

E fora vencida minha solidão...


Mostrate-me o que eu não conhecia...

Mas partistes...

De forma tão fria...


Levando consigo pedaços de meu coração...

A qual brincaste jogando-o no chão...


Vencido o sofrimento...

Da sorte sem piedade...

Sem ti correrá tudo sem ti...

E mais uma vez passarei...

Por essa tempestade...


Sandro Paschoal Nogueira

quarta-feira, 19 de julho de 2023

Plebeu


 

Que ruas escutam vossos passos?

Quais das pedras mudas e inertes testemunham por ti?

Onde anda agora a vossa vida repartida?...

Que outrora foste minha companhia...

E que agora, pelas estradas, tua alma tão sozinha...


Onde um dia fostes rei...

Agora é impuro plebeu...

Já não és importante...

És repudiado pelos teus...


Aos solavancos do destino...

Que embebe o ar de calafrios...

Tudo é orgulho e inconsciência...

E que por isso tanto dói...


Escolhestes o antigo degredo...

Já me tardava este espinho...

Agora tão longe...

Eu cá tão sozinho...


Sandro Paschoal Nogueira


terça-feira, 18 de julho de 2023

Vais...


 


Tu que dormes à noite na calçada ao relento...

Sem abrigo...

Abraçado à solidão...

Recebendo carinhos do sofrimento...


Tu que estás em casa só...

Dos parentes e amigos esquecidos...

Que verte lágrimas quentes...

Beijadas pelo vento...


Tu que tens o coração...

Corroído pelo ciúmes...

Que resmunga por onde vais...

O látego dos seus queixumes...


Tu que debruçada nas janelas...

Vez ou outra por detrás das cortinas...

De olhar assustado...

Segurando a língua e as intrigas...


Tu que pelas manhãs e noites frias...

Vaga por bares e boemias...

Procurando preencher o vazio...

Daquilo que nem tem mais sentido...


Tu que cultivas a secura...

Sufocando a ternura...

Vês o tempo indo célere...

Dias e dias...

Luar após luar...


Tu que andas nas sombras...

E que a fome da alma conhece...

Que sofre e não esquece...

O mel de um dia, outrora...

Em  que foste feliz...

E sem saber como...

Deixou passar a ventura...

O fel tu agora prova...

Porque bem assim quis...


Estava tudo pronto para receber a felicidade,

e tu não fostes...

Sonhaste e não lutaste...

Os amantes foram e se deram...

A vida aconteceu...


Agora tu praquejas...

Blasfema aos céus por erros teus...


Percebes que sois finito?

Pobre espírito...

Desatas a chorar...

Range os dentes sufocando os gritos...


Há  mortos inda que vivos, vivem...

Me convenças de que ainda existes...

Não serei como tu...

Que da vida perdeste o encanto...

Que agora em lamentos...

Sofre pelos teus muitos enganos...


Caminho por onde vou querendo...

Já que nem os mortos como tu...

Apontam -me os dedos...


Sandro Paschoal Nogueira

O secretário


 

👹👹👹

Dizem que se o diabo não pode ir ele manda o secretário...

E o secretário é pior que o patrão...😱

Coloca defeito, dessaruma tudo...

Querendo subir de cargo...

Almejando promoção...


Bem sei isso...

Quando de minha casa abro a porta...

Não entra um...

Não entram dois...

Entra a horda...


A porta que passa o bem...

Também por ela passa o mal...

Tratar com certas pessoas...

É pior que lidar com um animal...


Quem tem paz no coração...

À minha casa seja bem vindo...

Senta-te à minha mesa...

Beba comigo...

E coma do meu pão...


Valei-me todos os santos e anjos...

Que moram no céu...

Que o inimigo não me veja...

Que não me encontrem...

Que me esqueçam...

Não me perturbem...

E que fiquem ao léu...


Que sejam poeira...

Varridas pelo vento...

Com Deus e a Virgem Maria...

Eu me amarro e me prendo...


O pior mal é aquele que se disfarça escondendo a  verdade no coração...

Todo mundo sabe...

Que o inferno está cheio de gente com boa intenção...


Sandro Paschoal Nogueira

segunda-feira, 17 de julho de 2023

Cristal quebrado


 


Quem poderá domar os ventos?

Quem poderá calar a voz do sino triste?

Nem deuses...

Nem monstros...

Nem tiranos...

Que em cada hora se perde...

A esperança que amarga...

Do que foi dito pelo não dito...

Na voz dos aflitos...

O consolo dos desconsolados...

O cristal foi quebrado...

O tempo perdido...

A lágrima que rola...

Escondendo os gritos...

Outrora prometido...

O que hoje não tem mais sentido...

E no labirinto que se encontra...

Ainda sonha...

Desejando não estar perdido...

Mas os ratos devoram...

Até as hóstias sagradas...

Invadem casas...

Trazem dores e martírios...

A saída é a luta...

Mas com quem lutar?

A luz está difusa...

O fim será se entregar?

Será do látego o carinho que irá receber?

A fome...

A miséria...

A morte...

Mais sofrer...

O destino escolhido...

Pela indecisão...


Sandro Paschoal Nogueira

Angústia


 

Em plena angústia aos solavancos do destino...

Sigo e pergunto ao vento e à rua onde anda você...


E por detrás de cada esquina

e por detrás de cada vulto...

O vento traz a voz de um a voz de outro, mas não traz a sua...


Ouço gritos ao longe...

Que a madrugada recolheu as vozes...

Senti dentro de mim o tempo a criar silêncio...

Já não sonho...

Meus sonhos tornaram-se poeira no tempo...


Perdi a vaidade...

Amei sua partida...

Mas agora sofro...

Pela sua ausência...


A ver no mundo seco a dura e seca realidade...

Pensei coisas profundas...

Onde deixaste a marca dos teus pés...


Não quero ser quem sou...

Se não for contigo...

Já sou entrado em anos...

E tanto sinto...


No coração não sinto pesar tanto...

De inda puro sonhar...

Te espero...

Me dê uma e outra vez...

O seu olhar...

Te espero...


Sandro Paschoal Nogueira

Orgulho inconstante


 


Tudo é orgulho e inconstância...

Tudo é querer ser...

Querer poder...

Deixar rastro...

Correr adiante os dias impotentes...

Ardor no coração diante as estações que seguem...

Trêmular sob o tempo que passa e a tudo consome...


Talvez em cada coisa uma coisa oculta more...

E dizem que isso é nossa alma...


Pobre loucura dos homens...

Que julgam conhecer a loucura das estrelas...

Cantam a vida e falam em morrer tremendo de medo...


Toda inocência, toda pureza branca...

É um dom só concedido àqueles que mais amam...

E se em teu coração, desde então, existe ou venha a existir um desejo...

Sonhe...

Para viver...


Sandro Paschoal Nogueira

Destinos


 


Nasço, vivo, morro por um destino em que não mando...

Então quem eu sou?


No luto dos meus olhos...

Foi na minh'alma que nasceu a dor...


Quem é leal e quem não nos  abandona...

Quem devemos procurar...

E ser dignas de confiança...

Alguém a encontrar?


Já quase desisti...

Da inocência do desconhecido...

E a saudade?

Ainda vive em meu peito...


O que levamos da terra

É o céu que possuímos...

E à morte que damos vida...

Criam-se o sentido...


Vã filosofia...

Turvo clarão de raciocínios tristes...

Nos engana e mente...

Entre sombras nos conduz...


Quem rasteja na Verdade...

Se desencanta...

Do amor escravo...

Vítima sempre serei...


São muitas as provas na vida que  servem para testar quem somos...

Seguir adiante, sem descansar...

Afinal ...

Onde tudo vai dar?


No meio da confusão é preciso ver para além do que se pode olhar…


No meio de tudo onde estou eu?...

Que serão os meus sonhos...

O que posso almejar?


Sandro Paschoal Nogueira

quinta-feira, 29 de junho de 2023

Espera


 


No declive do tempo os anos correm...

E o tempo esmaga tudo...

Ai, ai de mim enquanto caminho...


São inúteis as palavras destes versos...

Nada entenderás...


Só quero o que me é devido...

Com licença, quero passar,

Tenho pressa de viver...

Não tenho tempo a perder...


Nesses  dias que embranquecem meus cabelos…

Ferido de silêncio duro e violento...

Com um beijo me despeço...


Eu andava à sua procura quando ainda não existias...

Sinto...

Sem planejar nenhum destino...

Que é preciso partir...

Os nossos sonhos uniram-se

talvez muito tarde...


Anda a bruma a fazer-me  medo...

Não há luar,

Não há estrelas...

Já não sei mais o quero...

Já não sei o que vejo...


Hoje, é que nada espero.

Para quê, esperar?


Sandro Paschoal Nogueira

segunda-feira, 26 de junho de 2023

Promessa de partida


 


Sangue dessa pobre alma em ferida...

Andando contemplando a lua branca e fria…


Luz que a madrugada entorna...

Há de nos devorar, talvez...

Cada amigável momento...

Além do livre pensamento...


Heróis da gargalhada... 

Eu gosto de vocês...

Grandes ironias das farsas joviais...

Dos restos de copos...

Falando besteiras e nada mais...


Com vocês sorrio...

Ah, sim, gosto de vos ver...

Da vida heróis da bofetada...

O que há mais a fazer?


E no curso veloz...

Do tempo que a tudo devora...

Eu rio sempre com desdém...

De ver o povo elouquecer...

Nas mímicas sem par...

Nas histórias a contar...

Do ato de seduzir...

Do disfarçar em cuspir...

E a qualquer um se entregar...


Assim se faça tudo...

À medida do que se ama...

Com uma promessa de partida...

A noite corre...

E quase já finda...


A vida dá-me janelas...

Que nasce na fantasia...

Um querer indiferente...

Sem perder-me...

Da maneira que assim se exista...

Ah, a opressão de tudo isto...

Que me oprime para ser feliz...


Sempre, sempre, sempre...

Oh Deus...

Ouve minhas preces...


Sandro Paschoal Nogueira

Herança


 

Herança de tudo que não sou...

Inocência do desconhecido...

Luto dos meus olhos....

Disfarçando na minh’alma a dor...


À morte que damos vida...

O sonho da terra que se pisa...

Soprem tarde os desenganos...

Dos tempos que hão de chegar...


Desejo de amor sincero...

No breve correr dos dias...

Nunca o presente é passado...

Nunca o futuro é presente...

De onde venho, poderei voltar ?


Peço ao vento que não uive e não gema tanto...

Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes...

Hoje não me resta...

Senão saber isto...


Como a folha morta em lagos sonolentos...

Noite sussurrante de silêncios...

Como me engana...

Esse velho coração...

Como ainda desejo e sonho...

Ansiando pela ilusão...


Sandro Paschoal Nogueira

Enganos


 

O meu coração desce...

Na tua ausência como um caixão à cova…

Sob o fustigante látego do esquecimento...

De dor violenta e não tão nova...


Que apego ainda mantenho?

Alma egoísta e fraca sou...

Desventuras que ouço...

E de tudo que passou...


Todos os dias de ti ouço falar...

Novo assunto sempre aparece...

Vil gênio me atormenta e a indignação me inspira...

E o povo que me beijava...

Era o mesmo que me enganava...


E tu, tu não te abrias...

E com olhares para outros sorrias...

E cego por ti fiquei...

Das horas à sombra dos teus gestos que fiquei...


Hoje canto e choro amargamente...

E a dor, indiferente, se faz latente...

A mesa posta a tua espera continua...

Embora meu sorriso tenha sido apenas um brinquedo...

Destruído pelas mãos tuas...


Sandro Paschoal Nogueira

quinta-feira, 22 de junho de 2023

Envelhecer


 


Nada passa mais depressa que os anos...


Quando mais jovem dizia...

Que ao chegar aos vintes livre seria...

Dali pulei para os trinta...

Já aos quarenta e nada sentia...

Cheguei aos cinquenta...

Sem fazer muito esforço...

Quem diria...

Deus me permita chegar aos noventa...

E ainda ter um coração de moço...


Pensava antes que os velhos eram bobos...

E disso eu ria...

Agora bem sei e compreendo...

Os mais jovens é que o são e não se dão conta...

Assim sigo aprendendo...

Poucas coisas me surpreendem...

E outras tantas ainda me amedrontam...


O tempo risca meu rosto...

Isso é fato...

Diante o espelho...

Ocasionalmente me embaraço...


E ainda que o destino seja cruel...

Já não me engana tanto a ilusão desse véu...


Meus cabelos ficarão brancos...

Minha pele perderá o viço...

O corpo, o vigor...

Estranho esse feitiço...

De tamanho rigor...


A sabedoria, quem diria...

Torna-se minha companhia...

Lentamente...

A cada dia...

E a cada noite que se anuncia...


Nem sempre escuto o que as pessoas dizem...

Geralmente não me interessam...

Às vezes me magoam...

Agora prefiro prestar atenção no que fazem...

E não no que apregoam...


O amor nos faz envelhecer antes da hora...

Mas também nos torna jovens quando a juventude passa...

Mas a paz...

Ah a paz...

É tão acolhedora...


Qualquer um pode ser jovem...

Envelhecer é um mérito...

Tudo é questão de espírito...

E de tudo que nos envolvem...


Embora tenha Deus como companheiro...

Que amanhã  não seja ainda o dia de estar ao seu lado...

Mas na derradeira hora...

Farei parte desse céu estrelado...

E desde já ao Criador agradeço ...

Envelhecer é aprender a tudo ser muito grato...


Sandro Paschoal Nogueira

sexta-feira, 16 de junho de 2023

Leito vazio


 


Um dia, talvez, haverá novos sonhos...

Ouvirei com encanto alguém que não conheço...

Para mim será o começo de tudo...

O começo de um novo mundo...


Agora para mim já tão frio e já tão tarde...

E sem fazer nenhum alarde...

A minha alma não descansa...

Não sou nem mesmo uma lembrança...

Uma esquecida sombra que ninguém repara...


Todo o amor é desejar...

Embora se viva às avessas...

Se o tempo troteia...

E pesa como uma estrela...

Quão afortunados são os amantes...

Quão infelizes os ignorantes...


Estranha cousa esta...

A ventura de querer ver-te bem...

Mãos de renúncia...

Mãos de amargor...

Ao perder seu amor...


Semente divina...

Que só n’alma germina...

Exalta o viver...

Em doce tortura...

Ai amor...

Que sorte de quem tem você...


Repara...

Aqui eu sem luz e sem vida...

Quando, alta noite, me reclino e deito...

Clamo por ti...


No vazio do meu leito...

Só o silêncio...


Sandro Paschoal Nogueira

Pressupondo


 

Por vezes quando o tempo passa...

Em horas dentro de mim...

Passa um nada meio acontecido...

Uma saudade que não tem mais fim...


Na penumbra de minha casa...

Escondido sob o luar...

Na artéria estendida do silêncio...

No vão do patamar do tempo...

A procurar...


Pressupondo um olhar para trás...

Por tudo o que eu vi e sei...

No curso veloz da vida...

Corri, subi e voei...


Agora grito...

Para rasgar os risos que me cercam...

Insensatos...

Não me servem de consolo...

Tolos...

Inúteis...

Pueris...


Fartam-me até as coisas que não tive...

Fartam-me com tudo o que sonhei...

Fartam-me o tanto que desejei...


Outrora escalar os céus,  imaginei...

Tudo era igual...

E tudo me ruiu...

E entrei abandonado na esperança...

Entreguei -me a ela e ela me possuiu ...


Em combustão secreta...

Ao silêncio me abri...

Hoje entre as pedras procuro...

Aquilo que perdi...


Não paro...

E se necessário volto atrás...

Quantas vezes necessárias forem...

Até  reencontrar...

O que nunca esqueci...


Dizem todos que é loucura...

Bem isso eu sei...

E muito ouço e muito já ouvi...

Tenho um caminho marcado...

E se agora não encontro...

Vou procurar no passado...

Revolvendo as cinzas...

Até descobrir...


Sandro Paschoal Nogueira

quarta-feira, 7 de junho de 2023

Cansado


 


Como se o frio fosse o maior aconchego...

Enquanto a manhã vai se derramando  em multicores...

O céu parece baixo e de neblina...

Até eu venho ver se me apareço...


Essa delicadeza, cada vez mais e mais difícil...

A qual me perco...


Vida...

Não sei se entendo...

Mas pratico...


Embora esperanças minhas...

Pelo tempo desfeitas...

Ainda sonhar...

Me permito...


O que há em mim é sobretudo cansaço...

Não disto nem daquilo...

E ainda assim dizer

Deus seja louvado...


Sandro Paschoal Nogueira

Voz no vento


 


Houve um tempo...

Em que eu sonhei com as estrelas...

Por não conseguir ir até elas...

As trouxe para mim...


Não sei o mistério...

Das falas do coração...

A minha paz é ignorar...

Tanta coisa que se esquece...

Perdidas na ilusão...


Voz no vento...

Passando entre a poeira...

Se guardo algum tesouro não o prendo

Enquanto caminho sobre minhas estrelas...


Onde fica o mundo?

Os caminhos de pedras e estreitos?

Os mares, do rio seus leitos?

Onde fica o mundo dos estranhos homens sujeitos?


Porque assim deles vivo escondido...

Minha história que ninguém crê...

Que me dói não sei onde...

E nem o porquê...

Ser ou não ser eis a sorte...


O que tiver que ser será...

O que Deus desejar...


Sandro Paschoal Nogueira

Ingrato


 


Eu menti naquela hora...

E disse que não sabia...

Mas vou-lhe dizer agora...

A ingratidão pesa...

E para chegar não tem hora...


Em meio ao sol e ao riso da manhã...

Tudo isso existe...

Tudo isso é triste...


Nesse engano das horas...

Como alguém que tivesse esquecido...

Que assim sempre tem sido...

Ah ingrato...

Como será seu destino?


A noite, que o pesar...

Ao fim de cada dia...

Irá sempre me lembrar...

Que não sobrou nada...

Apenas cinzas frias...


Quero que saibas...

Se de súbito me esqueceres...

Também não me procures...

Porque já te terei esquecido...

O que outrora tenha sentido...


Minhas raízes sairão

em busca de outra terra...

A noite infinita enfrenta a vida...

Sem temer a ingratidão...

domingo, 4 de junho de 2023

Poço


 


Noite à fora...

Sobre uma navalha...

Ó divina esperança...

Sonho de criança...


O tempo a criar silêncio...

Tornando o sonho  poeira dos tempos...

Poço imenso e fundo...

Que engoliu meus desejos...


A ver no mundo seco a seca realidade...


Dos ébrios jogados à sarjeta...

Das matronas em penunbras das ruas da esquerda...

Dos pederastas em gargalhadas...

Disfarçando as lágrimas não jogadas...

Das mocinhas vendendo favores...

Em troca de licores...

Daqueles que só encontram alegrias...

Quando deixam suas garrafas vazias...


A vã loucura a moda é prima-irmã...

Mas quando vem o senso erguer-lhe os densos véus...

Desse desgosto...

Livrai-me Deus...


Salvo o meu desejar...

Teço beleza em tudo...


No hálito podre de um sugismundo...

No idoso porchetta...

Em quem que com qualquer um se deita...


Nessa langorosa magia...

Sob a lua que irradia...

As torpes paixões...


Sigo para meu descanso...

Aguardando, quiçá ...

Outro dia...


Valei- Deus...

Ou quaisquer outros guias...

Fim de noite...

Madrugada fria...


Eu próprio me interrogo:

– Onde estou? Onde estou?

E procuro nas sombras enganosas...

Sob essas horas mortas...

As mesmas coisas repetidas...


Inúteis os sonhos e as amarras

que nos prendem ao cais...

Mas quem sou eu que não escuto meus próprios ais?


Sandro Paschoal Nogueira

sábado, 3 de junho de 2023

Grãos de café

 



Era cedo...

Lavei e perfumei meu corpo...


O vento frio bateu no meu rosto trazendo-me a vontade de um café bem quentinho...


Existe um tempo certo para tudo...


Os amores são como os grãos de café na máquina de moer...


Primeiro um...

Depois outro...

E depois mais outro...


E todos vão para o mesmo destino...


Próximo? 


Sandro Paschoal Nogueira

Lisonja


 

Por fazer lisonja às flores...

Invejosas as estrelas para mim não brilham mais...


Um negro azul-cinzento...

De onde o oriente dorme...

Tardo sono...

Frio sem vento...

Silêncio que se ouve...

Coração vazio e mal que se sente...

De quando ama e não tem...


Que hei-de fazer senão sonhar...

Dia após dia...

Sentindo  tudo de todas as maneiras...


Mas a noite perdura uma calma de espanto...

Somente a lua na escuridão sussurrando...

-Podia ter sido amor,

e foi apenas traição...


O medo dará seu último vintém...

Nesse desassossego que me fustiga...

Pouco a pouco passando...

Minha incerta vida...


Tão negro o labirinto...

Ai de mim, que nem pressinto...

Em meu rosto pálido nenhum fulgor...


Não foi nada, não foi nada:

poderia ter sido amor...


Sandro Paschoal Nogueira


quinta-feira, 1 de junho de 2023

Vontades


 


O amor, o apego, o sossego...

Das almas calma...

É o meu o canto...


Vieram hoje dizer-me mentiras a meu respeito...

Diga lá companheiro...

Mostre-me o que tem no peito...


Só quero hoje a verdade...

Despida de vaidade...

Mentiras, fora daqui...

Deixai-me à vontade...


Vontade de sono no corpo...

Vontade de não saber de nada...

Apenas vontade...

De ficar longe das maldades...


Não sei aonde vou...

Nem vejo o que persigo…

Sou só um momento...

Deixai-me ser como sou...


Mistério alegre e triste...

De quem vive à parte...

Seguindo...

Sem temer as tempestades. 


Sandro Paschoal Nogueira

quarta-feira, 31 de maio de 2023

Pedras

 



Minha vida se acomoda entre essas pedras...

Aos meus suspiros, que deitando vou...

Dá-me o vento de feição...

Flor de ventura...

Que amor me entregou...


A sede e o vinho onde tudo se esquece...

Me fazem mergulhar no fundo do sonho...

Esse que sou...

Silêncio de grito suspenso... Labirinto desfeito...


Ah como são belas – bem o sei, essas pedras...


Tais quais nos céus as estrelas...

Todas caladas...

Mas tanto amor por elas...


Sonhos meus, suaves sonhos...

Melhores do que a verdade...

Num palácio de ouro...

São elas minhas confidentes...

Meu maior tesouro...

Sombra e luz

 



Em horas presentes de infortúnios e tédios...

Eu choro e espero...


Diante ao vendaval que ruge...

Luto...

Não me entrego...


Tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas...

Junto a toda a gente que eu conheço e que fala comigo...


Em vão tentei quebrar o círculo mágico...

Inútil escapar...

Procurei esconder-me...

Em esperanças...

Em audácias...

Pensei em não mais lutar...


Poetas, que somos nós?

E bater, é bater com alma na bigorna...

Mas vou pelos passeios...


Entre a sombra e a luz...

Meu sonho conduz...


Tirando da alma os bocados precisos...

Nem mais...

Nem menos...

Só o que sinto...


Sandro Paschoal Nogueira

terça-feira, 30 de maio de 2023

Conversa de botequim

 



Ah...

Essas conversas de botequim...

Sem princípios...

Sem meios ...

Sem fim...


Só gente e coisas...

Tudo misturado...

Com ares fétidos...

Com fumo e álcool...


Que matou?

Quem violou ?

Quem queimou e quebrou?


Os copos balançam...

No ritmo dos corpos...

As línguas enroladas...

Cadê o bom moço?


Algum homem digno de ser possuidor?

Do que é oferecido?

São assim o sol, a lua, as estrelas proibidos?


Escolham novos amantes...

Como tragam suas bebidas...

Bêbados...

Babando ...

Contando suas feridas...


O bom não é bom, a não ser

que mil coisas o possua...

Escondem a aflita dor...

No fundo dos copos das bebidas...


Uma certa quantidade de gente à procura...

Perdendo-se entre vozes altas e lamúrias...

Enquanto aparecem os poetas à procura...

De também esquecer suas desventuras...


Amor querido...

Quando teria eu interrompido esse sonho feliz?

Mesmo por ti abandonado...

Entre os ébrios...

Ainda te quero bem...


Olhe-me nos olhos...

E por favor...

Por favor...

Não vá embora...


Sandro Paschoal Nogueira

sábado, 27 de maio de 2023

Despedida

 Despedida de 

Bruno Estevão Mendonça Barreto 




Na angústia sensacionalista de todos os dias sentidos...

Toda despedida é dor...


E dói entregar nas mãos de Deus aquilo que você não pode mais ter...


Falo de mim porque bem sei que a vida é assim...


Meu coração não aprendeu nada...

Recolho assim minhas palavras em versos...

Feitas de lágrimas e silêncios...


Do que quero renego...

Me pesa na vontade...

Recebo o que me é dado...

E o  que me é dado quero...

Mesmo com medo...


E de alma partida...

Só posso clamar aos céus...

Pela vida tal qual entendo...


Sandro Paschoal Nogueira

Persistência

 



Derrubei os muros da mentira...

Apaguei os gestos sem luz...

Retrocedi aos limites do grito...

Ainda persisto e estou aqui...


Tantas coisas desapareceram...

Outras tantas por vir...

Ardem em meu coração as estações...

Ainda persisto...

Estou por aqui...


A minha esperança jorra...

Diante os dias impotentes...

Onde a massa de gente...

Finge estar contente...


Arrebato à morte essa triste visão da vida...

E esse fogo que me arde...

Clama em meu peito, sem alarde...

Persista...

Ainda está por aí...


Sandro Paschoal Nogueira

sexta-feira, 28 de abril de 2023

Esquivo

 



Se ora me vês esquivo...

Erro é teu...

Um querer indiferente...

Que nasce na fantasia...

Amei-te um dia...


Saio para rua...

Esquece...

Novo assunto aparece...


Nem a tristeza nem as horas belas...

Tudo me ruiu…

Tudo era igual...

Me sequei todo...

Endureci de tédio...

Sombrios pesadelos...

De um eterno devaneio...


Não paro, nem volto atrás...

Tenho um caminho marcado...

E decerto sei...

Que não é ao teu lado...


Sandro Paschoal Nogueira

terça-feira, 25 de abril de 2023

Sossego


 

Temem os deuses pelo coração dos homens?


Enquanto me rescindo de tudo o que passou...

Eu próprio me pergunto:

– Onde estou?...

- Onde estou?...


Na ponta do punhal...

E até no grito...

Felizmente Deus vê da Terra e vê do abismo...


A mão do tempo murcham os sonhos na vida...

O que há em toda alma...

E no que os olhos não dizem...


A coragem no gesto solitário de viver...

Divina pobreza, sem fulgor,  de tudo querer...

De tudo poder...

De tudo ser...


É preciso partir...

É preciso ficar...

Não há sossego...

Não tenho ouvido mais que o visto...

No silêncio e na luz falsa do fundo...

Inquietante procura enquanto vivo...


Sandro Paschoal Nogueira

Perdas


 

Tudo se perdeu no solitário campo dos céus...
Que ninguém hoje me diga nada...
Tantas coisas desapareceram...

Ai de mim enquanto caminho... Eu já sou o passado...

Em minh’alma tudo se derrama…
Foi só ilusão...

O tempo passa?...
Não passa no abismo do coração...

Pensar sem desejos nem convicções...
Ferido de silêncio duro e violento...
Sem tocar tuas mãos...

Deste estado que padeço...
A vida que tudo arrasta...
Leva os amores também...

Sandro Paschoal Nogueira

Ouviste


 


O que ouviu os meus versos disse-me: 

-“Que tem isso de novo?”

Sim, talvez tenham razão...

Talvez em cada coisa uma coisa oculta more dentro do coração...


Divina esperança...

Eterno devaneio...

Sonho de criança...

Que vive no peito...


Luz que as trevas rompe...

Quando vejo o meu amado...

Permita o desabafo aqui, a sós contigo...


Deus quando abre ao poeta as portas...

Encontra toda a beleza da vida...

Num simples florescer...


A inocência é um dom de Deus...

Um dom só concedido

àqueles que mais amam...

Amar não é só prazer...

Amar também é sofrer...


Sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo...


Sandro Paschoal Nogueira

terça-feira, 18 de abril de 2023

Passaste


 

Não eras para minha vida...

Não eras para os meus sonhos...

Não eras para os meus cantos...

Não foste digno de meus prantos...


Não eras o lume de meu coração...

Não eras o brilho de meu olhar...

Foste apenas decepção...


De todos os encantos...

Não quisestes fazer parte...

E hoje, sem nenhum alarde...

Vi que não fostes nada...

E nada fizestes para ser meu tudo...


Passaste em vão...


Não fostes feito para meus abraços...

Para nossos corpos entrelaçados...

Não comungamos em ardor...

Carinhos não me destes...

Não era para ser amor...


Tu nem mesmo fostes um vento...

Que em algum momento...

Beijou-me e mostrou-me a direção...


Tu foste apenas...

Para aqueles que te queriam um pouco...

Enquanto eu te quis tanto...


Hoje és sombra...

Sombra de nada...

Vulto sombrio...

Que vaga entre tantos tais como tu de alma deserta...


Meu último conforto...

Agora...

Apenas o frio...


Sandro Paschoal Nogueira

Desencanto


 

Em trevas o crepúsculo...

Parece o mundo um túmulo

Não há o estrelado manto...

Restou-me o desencanto...


As flores foram desfolhadas...

Estão perdidas sobre as calçadas...

No extinto e no porvir...

Só ouço suas mentiras e mais nada...


Colho o tédio...

Que já está maduro...

De olhar morto...

Escondido atrás dos óculos escuros...


Horror do mal, do feio em todos os caminhos...

Alma e coração em desalinho...

Arrastando a fraqueza e a simplicidade...

De maneira tão triste e louca, essa dura verdade...


Os ventos adormeceram...

A brisa não me beija mais...

Quero ficar só...

Como nunca estive jamais...


Sandro Paschoal Nogueira

sábado, 15 de abril de 2023

Serpente


 

Tu me procuras em seus sonhos...

E eu te guio em todos meus pecados...


Teus desejos afogam-se em taças de vinho que  as bebo vagarosamente...


Retiro-me despido de anjo...

Embalando tuas vontades como uma serpente...

Distorçendo tuas verdades...


Brinco com tua alma...

Te convidando ao meu íntimo abismo...

Te enlaço em meu olhar...

E no instante de um tempo...

Não perdido...

Mostro-te meu veneno...

E o que sinto...


Um só caminho é o bastante...

É o suficiente...

Para te mostrar que posso ser recatado e  indecente...

E pode ser que derepente...

Te conquiste...

E nos amemos eternamente...


Sandro Paschoal Nogueira

Semeadura



 

Sou, num alto de monte...

Onde bate o luar em noite triste…

Aquele que murmura nas horas mortas...

O desejo de uma vida nova...


Negra sorte...

Vivendo dia após dia...

Sobrevivendo a própria morte...


Imagens de saudades...

Varrida por temporais...

Oculto entre as brumas...

Sonhando e sonhando sempre mais...


Fugitiva deste mundo...

Se fez minha alegria...

Às noites eu amo...

E tudo finda no raiar do dia...


Lágrimas dos meus olhos são flores...

Que as semeio pelo chão...

Alumiado de sombras e luz...

Permanece meu coração...


Num íntimo pudor vou envelhecendo...

Ninguém me deseja apaixonado...

E na dor do silêncio...

Em demência me perco...

E já nem sei quem sou...


Sandro Paschoal Nogueira


segunda-feira, 3 de abril de 2023

Imperfeição

 



Minha vida se acomoda entre estas pedras...

E o que faço de mim é o que me fica...

Mal de amar nesse lugar de imperfeição...

Onde a lua chora junto as estrelas...

Sua solidão...


Livre como o vento e repetido...

Que Deus se lembre do meu nome...

Que o látego não me seja o castigo...


Vivo a vincos de ouro a minha vida...

Entre o luar e as folhagens...

Tenho febre e escrevo...

Revelando em poucas linhas...

Meus segredos...


Não é serenidade pelas ruas o que vejo...

Tudo em mim é desejo...

Sentir tudo de todas as maneiras...

Dizer verdades entre brincadeiras...


No mistério da vida a cavalgar...

Aprendendo na espera o inesperado...

No espaço...

No tempo...

Um menino homem...

Apenas querendo ser mais amado...


Sandro Paschoal Nogueira

sábado, 1 de abril de 2023

Mentiroso

 



#MENTIROSO


Antes eu tive fé...

Deixei escapar em uma esquina qualquer...

Conheci a verdade...

Mas não posso lhe dizer...


Poeta mentiroso...

Que em cada versos existe um pouco de mim...

E onde sonhei viver...

Já não sei se desejo tanto assim...


De rima em rima um pranto...

Alma calma...

Declamando amor, o apego e o sossego que mais se acentua...

Do cisne , um canto de mentiras...

Enquanto a verdade anda nua...


Feliz de quem puder...

Aos domínios do céu o pensamento erguer...


Perdi-me dentro de mim...

Pois sou um grande labirinto...

Passei pela vida...

Por muitos abismos...

Nem todos os senti...


Não tenho o amanhã e nem o hoje...

E para os outros cujo o tempo foge...

Eu o tenho como meu consorte...


Aonde tanta vez a lua me beijou...

É onde tantas encontrei um amor...

Quisera eu lhe falar mais...

Sendo hoje o dia da mentira...

Quiçá depois...


Sandro Paschoal Nogueira

quarta-feira, 29 de março de 2023

Estevão

 



#ESTEVÃO 


Na cozinha fez almoço...

Bem legal...

Eu já estava com fome... Passando até mal...


Fez :

Arroz e feijão...

Farofa com macarrão...

Nunca vi essa mistura...

Isso é coisa de Manaus...


Com cuidado e atenção...

Temperou, batizou o feijão...

Cozinhando de cueca...

Não faltou  uma abóbora...

Nessa mutreta...


Aipim cozinhou e fez frito...

Torradinhos...

Deliciosos em palitos...


Teve carne moída...

Já que quem prometeu a picanha...

Não foi o genocida...


Fez salada de picanha...

Melhor não falar dos transgêneros...

O tal do ovo que se sente...

Diz que é carne...

O coitado se sente...


Tudo bem temperado...

Para agradar a gente...

Raspamos os pratos...


No final deu tudo certo...

Ficamos satisfeitos...

E assim a gente se arranja...

No dia a dia...

Em tudo dando um jeito...


Sandro Paschoal Nogueira

domingo, 26 de março de 2023

Para Sempre


 

Que venha o caos e a loucura...

Para que assim eu possa enxergar um outro mundo diferente dessa mentira nua...


Sei que a razão não me assiste...

Mas meu coração ainda insiste...

Em poder sonhar...


O para sempre sempre acaba...

O horizonte nunca se alcança...

Os cândidos fantasmas da esperança também choram...

E nas veredas da vida há almas que se cansam...


Houveram em minha vida  uns espaços...

Onde nunca dei um passo...

E não tenho outra memória...

Do arrependimento por não ter feito...

De ter aberto o meu peito...

E de ter sonhado livre...


Dos feitos, ficam apenas as lembranças, que se tornam cada vez mais fracas...


As pessoas não vêem meu coração...

Vêem apenas meu comportamento...

Julga-me sem meu  consentimento...

Baseados no que eles mesmo vão vivendo...


Não procures a marca dos meus passos...

Não encontrarás flores crescendo...

Bebei tu mesmo...

A taça de seus venenos...


Sandro Paschoal Nogueira

sábado, 25 de março de 2023

Flor do sonho


 

Qual é a flor do sonho?

Noite de lua cheia...

Um violão...

Uma seresta...

Ter sempre um ombro amigo...

Um cafuné a ser recebido...

Viver sem inimigos...

Estar com Deus e Deus estar contigo...

Dormir ouvindo a chuva...

Ver voando as aves do céu...

Um bilhete de amor esquecido e encontrado...

Em um velho pedaço de papel...

O tempo é algo que não volta atrás...

Ter boas recordações...

É bom, muito bom, demais...

Todo jardim começa com um sonho de amor...

Quem não tem um jardim na alma...

Sofre com dor...


Sandro Paschoal Nogueira

Degredo

 



#DEGREDO


E o relógio dará as horas devagar...

Alheio à pressa da vida...

Enquanto ergo o cálice transbordante...

Da inveja dos olhares fulminantes...


Velhos e eternos pesares...

Que a terra já não sente...

Eu, de olhos ausentes...

As asas loucas abrindo...

Passeio entre muitos...

Indiferente...


Ah...

Quem mandou que fizesses...

Minha alma da tua escrava...

Por que não me ouvistes...

Enquanto te amavas?


Por que fugiste de mim...

E me magoavas com espinhos?

Por que não me ouvistes...

As minhas preces?


O degredo acabou...

E dele saí tão cedo...

Já não mais te quero...

E não é nenhum segredo...


Nada mais te pergunto...

Nada mais de ti quero...

O sonho acabou...

Brinca na poeira, brinca...

Já não és meu mundo...


Sandro Paschoal Nogueira

terça-feira, 21 de março de 2023

Ogro


 


Bem prá lá da amoreira...

Depois do riacho dourado...

Mora um ogro...

Que cuida de um jardim encantado...


Caminha sobre as estrelas...

A sua mesa é farta...

Recebe em sua casa...

Duendes, bruxas e fadas...


Não é muito educado...

Fala o que pensa na lata...

Quando irritado...

Parece o diabo...


Não é de muitos amigos...

Mas é fácil ser amigo dele...

Basta não muito importunar...

Prefere ficar em casa...

Do que na rua a vadiar...

Um conselho:

Não bata na porta dele...

Não o queira acordar...


Tem a sua verdade...

Tem o seu caminho...

Às vezes tristonho...

Outras risonho...

Marcas do já vivido...

Causado pelos espinhos...


Sonha com um mundo perfeito...

Desprovido da ilusão...

Ah ogro encantado...

Isso não existe não...


Fique em sua casa...

Cuide bem do seu jardim...

O mundo mente muito...

Tem pessoas boas...

Mas tem também muita gente ruim...


Sandro Paschoal Nogueira

domingo, 19 de março de 2023

Louco

 



O mais feroz lobo faminto...

De alma abalada de lado a lado...

Na escuridão da noite de um infinito...

Sorvendo em taças douradas meu absinto...


Tudo é vaidade nesse mundo vão...

Tudo é pó...

Tudo é nada...

E a lua que desponta na madrugada...

Testemunha a flor nascida que é logo desfolhada...


Beijos de amor pra quê?

Só neles acredita quem é louco...

Sim, louco sou...


No cio que se faz presente...

A alma se cala...

E o espírito fica ausente...


Quando me lembro desse sabor que tinha...

Os seus carinhos...

A suas mãos nas minhas...


Quando os meus olhos cerram de desejo...

Só na loucura posso ser feliz...

Compreendo...


Achas-me indiferente…

E  até crês que há em mim desdém...

Sem você já não me encontro...

Vago no aqui e no além...


Não vês que meu viver é falso...

Num cortejo de lobos...

Rumo ao cadafalso...


Não vês que os loucos também amam?

E sentem aflições na alma?


Quem ama inventa as penas em que vive...


Sandro Paschoal Nogueira

sexta-feira, 17 de março de 2023

Estrangeiros

 


Um pouco mais de sol - sou fogo...

Um pouco mais de azul - sou além...

Um pouco mais de amor...

É tudo que me convém...


Em minha alma tudo se derrama...

Enquanto quero, busco e sonho...

Antes que o calado tempo esmague tudo...

À ronda dos segredos...

Enquanto toca-me seus dedos...


Aqui chegando de onde venho...

Ver-me se apareço...

Um pouco para chamar sua atenção...

Tentando surrupiar seu coração...


Aqui ficam as coisas...

Somos estrangeiros onde quer que estejamos...

Por tal passo por essa vida...

Hora chorando...

Hora brincando...


Que quer o amor mais que não ser dos outros?


Sandro Paschoal Nogueira

Ronda

 



Quando o vento adormece e surge a lua...

Um canto triste e longínquo ecoa nas ruas...


E as estrelas caladas e do meu pranto testemunhas...

Elevam minha alma a tão doce e puro encanto...

Fazendo-me lembrar dos amores esquecidos...

Por mim, tão vividos...


A saudade então me abraça...

Que a delirar então me obriga...

Enquanto a mim murmura...

A sonhar na vida...


Minhas partidas...

Minhas chegadas...

Noites vividas...

Alvoradas...


Ah doce amor...

Que agora beijas minh'alma...

É noite...

E é tão escura...

Nem o brilho das estrelas...

Nem o brilho da lua...

Esconde essa minha angústia...

De não ter minhas mãos junto às suas...


Tudo dorme...

Só eu velo...

Desejando você...


Que é feito de tudo?

Por que tudo assim?

Dormir, sonhar e sorrir...

Ronda rotineira...

Toda noite é assim...

A lhe buscar pra mim...


Sandro Paschoal Nogueira

quarta-feira, 15 de março de 2023

Passamos

 



Passamos pelas coisas sem as ver...

Se alguém nos pede amor não nos fazemos amar...

Como passamos pelas flores numa calçada...

Sem as notar...


Somos agora mais lentos...

Nem tudo é novidade...

Passamos pelo tempo...

Chega a velhice...

Não aproveitamos a mocidade...


Em noites inclinadas de melancolia...

Não percebemos a lua...

As estrelas que nos fazem companhia...


De palavra em palavra...

Dia após dia...

Finda-se a vida...

Não percebemos...

Já não transborda o cálice em alegrias...


Onde a luz é feliz...

Ela se demora...

Vivamos imensamente...

A fuga das horas...

Hoje e agora...


Sandro Paschoal Nogueira

Veredas

 



Nas veredas da vida a minha alma não cansa...

Minha paixão aos céus é grata...

Enquanto caminho sobre as pedras caladas...


E todo este feitiço e esse enredo...

Há se essas mesmas pedras falassem...

Contariam as magias, os mistérios e  tantos outros  segredos...


Viram o nascer e a morte...

O inocente olhar...

O puro e o perverso...

Viram a lua e o seresteiro...

A matrona e o embusteiro...


Viram as mocinhas assanhadas...

O cio dos rapazotes...

Ouviram os gritos de dor...

Sob o fragelo do chicote...


Tanto viram e ouviram...

Mas nada testemunham...

Nem mesmo o sangue...

Escorrendo pela fronte...

Se se pode gritar a Verdade...

Por que escolhida essa sorte?


Minha terra...

Onde tenho o meu pão e a minha casa…

Minha terra onde meu pai nasceu…

Aonde a mãe que eu tive e que morreu...

Minha terra que fala onde nasce o dia...

E que as noites são cantadas...

Minha terra...

Minha pousada...

Onde caminho sobre as pedras tão caladas...


Sandro Paschoal Nogueira