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sábado, 26 de setembro de 2026

Rolê

 


Saí de casa sem destino,

sem saber onde chegar,

não porque houvesse um caminho,

mas porque eu precisava andar.


Sentei num bar, pedi um drink,

vi a noite acontecer,

e entre risos e conversas

não encontrei o que queria ver.


Não era falta de gente,

nem silêncio ao redor;

era a falta daquele encontro

que faz a noite ter sabor.


Há dias em que a vida passa

sem sequer nos tocar,

como uma rua conhecida

que já cansamos de atravessar.


E então a gente sai sozinho,

só para poder dizer:

“Hoje eu não fiquei fechado,

hoje eu tentei viver.”


Mas que estranho é estar no mundo

e não sentir o mundo entrar;

ter pessoas ao nosso lado

e ninguém nos despertar.


Talvez a vida seja mesmo

esse eterno procurar:

não necessariamente alguém,

mas um motivo para ficar.


Um olhar que nos surpreenda,

uma conversa sem final,

uma presença inesperada

que transforme o habitual.


Porque o que cansa não é a noite,

nem a solidão de um lugar;

é quando todos os caminhos

parecem sempre terminar no mesmo lugar.


Então volto para casa,

deixo o copo e deixo o bar,

guardo a noite na memória

e me preparo para sonhar.


Amanhã começa tudo de novo,

com seus horários e seus ais;

mas talvez, entre o mesmo de sempre,

a vida ainda guarde algo mais.


E se hoje nada aconteceu,

não significa que acabou.

Há noites que apenas passam…

e há noites em que alguma coisa começa sem que a gente saiba onde começou.


Sandro Paschoal Nogueira

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Rose

 



Era sábado, a garoa caía,

bem leve, molhando a calçada,

e eu fui ao BarCana tranquilo,

sem pressa, sem hora marcada.


Ali estava a Rose, proprietária,

dona daquele cantinho acolhedor,

e entre conversa, risada e lembrança,

a noite ganhava seu próprio sabor.


Uma garrafinha de catuaba

ia chegando ao seu ponto final,

enquanto a chuva, mansinha,

deixava mais bonito o temporal.


Não era noite de grandes planos,

nem de procurar explicação;

era apenas viver aquele instante,

com simplicidade e satisfação.


A vida talvez seja justamente isso:

saber o momento de chegar e partir;

ficar quando existe vontade,

e ir embora quando é hora de dormir.


Porque eu tenho pousada, tenho trabalho,

e a manhã não espera ninguém:

quatro e meia já estou de pé,

fazendo o café para quem vem.


Enquanto muita gente ainda dorme,

eu já começo o meu dia a cuidar:

dos quartos, da casa, dos hóspedes,

e de tudo que precisa funcionar.


Então terminei minha catuaba,

dei boa-noite e fui embora,

não porque a noite estivesse ruim,

mas porque o descanso também tem sua hora.


E enquanto a chuva caía lá fora,

eu voltava pensando, talvez,

que a vida não precisa de luxo

para oferecer beleza e prazer.


Às vezes basta uma mesa,

uma conversa e uma amizade,

uma garrafinha quase vazia

e um pouco de chuva na cidade.


Felicidade não precisa de ocasião:

ela aparece nas coisas pequenas,

quando a gente presta atenção...


Sandro Paschoal Nogueira

sábado, 19 de setembro de 2026

Rotina


 

Todo dia é quase igual,

A rotina não dá trégua,

O mundo parece banal,

E a mesmice nos carrega.


As mesmas ruas, os lugares,

As conversas sem emoção,

Os mesmos velhos olhares,

A mesma programação.


É chato, não vou negar,

Parece tudo repetido,

Mas a vida pede pra andar,

Mesmo quando falta sentido.


A gente sai pra espairecer,

Pra ver gente, ouvir canção,

Pra tentar um pouco viver,

Pra distrair o coração.


Um bar, uma mesa, um amigo,

Uma cerveja pra acompanhar,

Mesmo sem nada de novo,

A gente insiste em tentar.


Porque ficar só reclamando,

Também não muda o cenário,

E o tempo vai nos levando,

Sem consultar o calendário.


Então, mesmo achando chato,

Mesmo cansado de tudo,

Vamos sair desse quarto,

Conhecer um pouco do mundo.


Que a vida não é novidade,

Nem sempre tem emoção,

Mas ainda existe liberdade

Pra escolher outra direção.


E se amanhã for igual,

E o tédio vier novamente,

Que a gente enfrente o banal

Com um sorriso diferente.


Porque viver é insistir,

Mesmo quando falta prazer,

É levantar, sair, sorrir...

E dar uma chance ao viver! 🌹


Sandro Paschoal Nogueira

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Muitos

 


Há muitos de mim escondidos em meu ser,

tantos caminhos que ainda quero viver.


Sou força e ternura, sou noite e sou dia,

sou medo, coragem, desejo e poesia.


Tenho um que se esconde, outro quer se mostrar,

um fecha os seus olhos, outro prefere encarar.

Um carrega mistérios, outro busca a verdade,

mas ambos caminham na mesma vontade.


Às vezes sou homem, às vezes sou flor,

às vezes sou fogo, às vezes amor.


Não cabe em palavras aquilo que sou,

sou muitos caminhos dentro de um só.


Tenho tantas faces, mas uma só essência,

tantas diferenças na mesma existência.


E quanto mais busco saber quem eu sou,

mais vejo quantos vivem dentro de um só.


Não quero escolher o que devo parecer,

nem qual das versões o mundo vai conhecer.


Quero ser inteiro, sem medo ou prisão,

mistura de alma, desejo e razão.


E se alguém perguntar: “Afinal, quem você é?”

Eu sorrio e respondo: “Sou tudo o que eu puder ser.”


Sou ontem, sou hoje, sou sonho e sou pó,

sou muitos, muitos mesmo,

vivendo dentro de um só.


Sandro Paschoal Nogueira

Brinde

 



Uma taça na mão, um sorriso no olhar,

um amigo ao meu lado, pronto pra me acompanhar.

Entre risos e histórias, deixo a noite acontecer,

porque a vida é mais bonita quando se tem com quem viver.

Meu cachorro, companheiro, tão fiel e tão leal,

faz de qualquer simples momento algo especial.

Não importa onde eu esteja, nem a hora ou o lugar,

com ele junto de mim, sempre tenho a quem amar.

A taça traz o brilho de uma noite de emoção,

e ele traz aconchego dentro do meu coração.

Entre amigos, boas lembranças e a vida a celebrar,

faço um brinde ao presente, sem pressa de terminar.

Que venham novas noites, novos sonhos, novo dia,

com carinho, companhia, esperança e alegria.

Pois riqueza de verdade não se compra com dinheiro:

é ter amor na vida e um amigo verdadeiro. ❤️🐾🥂