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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Lampejos


 

Ele não bebe pra esquecer,

bebe pra lembrar do desejo,

cada gole é um lampejo

do que insiste em acontecer.


O olhar promete e não fere,

Deixa rastro no chão.

A noite sussurra pecados antigos

e ele brinda aos inimigos


Não pede amor, nem perdão,

oferece presença inteira

Boêmio não por costume...

Há corpos que são origem

do incêndio que ninguém assume.


E no fundo do copo escuro

não mora o fim, nem a fuga —

mora um homem que seduz

sem pressa, sem culpa


Na luz fria da calçada,

um olhar firme, sem pressa,

o tempo passa — não pesa...

Há silêncio que revela

mais verdade do que a brisa.


Entre flores da camisa

e o brilho discreto do anel,

O copo erguido não é fuga,

é brinde à própria história...


No rosto, a noite repousa,

não como sombra ou cansaço,

mas como quem fez do passo

um verso que não se ousa.


Quem olha vê só a imagem,

quem sente entende o sinal:

há homens que viram poema

sem pedir permissão ao final.


Sandro Paschoal Nogueira

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