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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Malandro

 


Malandro tem cheiro de noite,

de rua quente, de tentação.

Não toca, mas deixa nos dedos

a memória da intenção.

Quem olha sente o risco,

quem fica perde a razão.

É calma que acende incêndio

sem pedir permissão.

Ele dança parado,

provoca sem se mover.

O desejo se oferece

só de imaginar o que é.

Não promete eternidade,

mas entrega o agora inteiro.

Quem cruza seu passo lento

nunca sai do mesmo jeito.

Malandro não seduz —

ele deixa acontecer.

E quando você percebe,

já quis sem nem querer.


Sandro Paschoal Nogueira

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