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terça-feira, 22 de setembro de 2026

Rose

 



Era sábado, a garoa caía,

bem leve, molhando a calçada,

e eu fui ao BarCana tranquilo,

sem pressa, sem hora marcada.


Ali estava a Rose, proprietária,

dona daquele cantinho acolhedor,

e entre conversa, risada e lembrança,

a noite ganhava seu próprio sabor.


Uma garrafinha de catuaba

ia chegando ao seu ponto final,

enquanto a chuva, mansinha,

deixava mais bonito o temporal.


Não era noite de grandes planos,

nem de procurar explicação;

era apenas viver aquele instante,

com simplicidade e satisfação.


A vida talvez seja justamente isso:

saber o momento de chegar e partir;

ficar quando existe vontade,

e ir embora quando é hora de dormir.


Porque eu tenho pousada, tenho trabalho,

e a manhã não espera ninguém:

quatro e meia já estou de pé,

fazendo o café para quem vem.


Enquanto muita gente ainda dorme,

eu já começo o meu dia a cuidar:

dos quartos, da casa, dos hóspedes,

e de tudo que precisa funcionar.


Então terminei minha catuaba,

dei boa-noite e fui embora,

não porque a noite estivesse ruim,

mas porque o descanso também tem sua hora.


E enquanto a chuva caía lá fora,

eu voltava pensando, talvez,

que a vida não precisa de luxo

para oferecer beleza e prazer.


Às vezes basta uma mesa,

uma conversa e uma amizade,

uma garrafinha quase vazia

e um pouco de chuva na cidade.


Felicidade não precisa de ocasião:

ela aparece nas coisas pequenas,

quando a gente presta atenção...


Sandro Paschoal Nogueira

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