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sexta-feira, 31 de julho de 2026

Espelhos

 



Que o espelho te mostre, a cada manhã,

não apenas o rosto que o tempo gravou;

pois a pele se curva, a beleza se vai,

mas o brilho da alma jamais se apagou.


As rugas são cartas que a vida escreveu,

com a tinta dos risos, da dor e da fé;

quem aprende a lê-las descobre, enfim,

que o valor de um homem é mais do que é.


Não invejes o jovem que vence na pressa,

nem lamentes a força que o tempo levou;

há vitórias ocultas na calma madura,

que só quem muito vive um dia encontrou.


O espelho reflete somente a aparência,

mas a consciência revela quem és;

há quem traga um jardim escondido por dentro,

e há quem viva deserto vestido de pés.


A verdade não mora na curva do rosto,

nem na voz que procura constante louvor;

ela habita o silêncio de quem reconhece

que a grandeza floresce na raiz do amor.


Por isso, contempla-te, a cada manhã,

com respeito, coragem e serena emoção;

pois o tempo não rouba quem vive com honra,

ele apenas lapida o melhor do coração.


Sandro Paschoal Nogueira

terça-feira, 30 de junho de 2026

Expectativas

 



Há quem plante sonhos no chão da esperança,
Sem saber se a flor voltará a nascer;
Mesmo assim o coração nunca se cansa,
Pois acredita no que ainda vai acontecer.

A expectativa é um rio silencioso,
Que contorna as pedras sem reclamar;
Às vezes segue manso e luminoso,
Às vezes aprende, sozinho, a esperar.

Nem toda aurora veste o céu de cor,
Nem todo inverno anuncia o fim;
Depois da sombra renasce a flor,
E o tempo refaz o jardim.

Quem vive esperando também amadurece,
Descobre que a pressa costuma enganar;
A vida recompensa quem não esmorece,
Mesmo quando demora a chegar.

No horizonte mora a possibilidade,
Companheira fiel de cada coração;
Pois toda expectativa, quando abraça a verdade,
Transforma o amanhã em nova canção...

Sandro Paschoal Nogueira

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Vontades


 

Não é a força da idade

que faz alguém florescer;

é viver com dignidade

e nunca deixar de crer.


Não é o rosto sem marcas,

nem a juventude fugaz;

são as lutas que embarcas,

e a paz que a alma refaz.


Os cabelos prateados

não anunciam o fim;

são capítulos dourados

que Deus escreveu em mim.


Há beleza na experiência,

há nobreza em prosseguir;

quem cultiva a consciência

sempre encontra um porvir.


Pois o tempo não destrói

quem aprendeu a amar;

quanto mais a vida corrói,

mais ensina a recomeçar.


E assim segue a caminhada,

entre a esperança e a luz;

uma existência honrada

é a mais bela que reluz.


Não se mede a mocidade

pela idade a aparecer;

vale mais a dignidade

e a vontade de viver.


Sandro Paschoal Nogueira

domingo, 24 de maio de 2026

Crocodilo

 Eu já vi rio secar da noite pro dia

Já vi corrente mudar de direção

Aprendi cedo com a água barrenta

Que quem endurece perde o chão


Eu não brigo com o vento que passa

Nem bato de frente com temporal

Tem hora que o silêncio é o caminho

E esperar também é sinal


Eu vou seguindo conforme a maré

Sem me perder do que sou por inteiro

Porque nesse mundo de pedra e vaidade

Quem força demais chega por derradeiro


Crocodilo que não abana o rabo

Morre afogado no fundo do rio

Eu aprendi a seguir com a água

Sem me perder do caminho


Eu fico quieto, mas vejo de longe

Eu sou do brejo, do tempo e da espera

Meu rumo é o rio quem vem ensinar

Sabedoria é saber esperar...


Crocodilo que não abana o rabo

Morre afogado no fundo do rio

Eu aprendi a seguir com a água

Sem me perder do meu caminho


Crocodilo que não abana o rabo

Morre afogado, pode acreditar

Quem quer viver muito tempo nessa vida

Tem que aprender a esperar...



Sandro Paschoal Nogueira

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Entre luz e silêncio

 Entre Luz e Silêncio


No espelho do tempo, o rosto sereno,

há marcas da vida — nenhum desengano pequeno.

O vento dos anos passou sem pedir,

mas deixou nos olhos vontade de seguir.


A barba de prata não fala de fim,

fala de caminhos guardados em mim.

Quem viveu tempestades conhece o valor

de um gesto sincero, de paz e de amor.


Trova I


Não temo o tempo apressado,

nem seu compasso ligeiro;

quem tem o peito marcado

carrega o mundo inteiro.


Trova II


Os sonhos não envelhecem,

mudam só de direção;

às vezes até adormecem,

mas despertam no coração.


Na calma da noite, um homem contempla,

o silêncio responde aquilo que exempla.

Pois forte não é quem jamais se perdeu,

mas quem cai tantas vezes — e ainda floresceu.


Trova Final


A vida é estrada comprida,

de espinho, abraço e clarão;

quem faz poesia da vida

nunca caminha em vão.





Sandro Paschoal Nogueira

Ser poeta

 Sou poeta das palavras silenciosas,

dos sentimentos escondidos,

das lágrimas que o tempo não secou

e dos sonhos que insistem em permanecer.


Sou poeta dos amores impossíveis,

das lembranças que o coração guarda,

dos instantes perdidos no tempo

e das saudades que nunca se calam.


Escrevo porque a alma precisa falar,

porque o coração transborda sentimentos

que nem sempre cabem no silêncio.


Sou poeta…

porque viver, às vezes,

também é transformar dor em verso.



— Sandro Paschoal Nogueira

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Malandro

 


Malandro tem cheiro de noite,

de rua quente, de tentação.

Não toca, mas deixa nos dedos

a memória da intenção.

Quem olha sente o risco,

quem fica perde a razão.

É calma que acende incêndio

sem pedir permissão.

Ele dança parado,

provoca sem se mover.

O desejo se oferece

só de imaginar o que é.

Não promete eternidade,

mas entrega o agora inteiro.

Quem cruza seu passo lento

nunca sai do mesmo jeito.

Malandro não seduz —

ele deixa acontecer.

E quando você percebe,

já quis sem nem querer.


Sandro Paschoal Nogueira

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

O lobisomem de Tamandaré


 

O LOBISOMEM DE TAMANDARÉ


Pé na areia, coração disparado,

Passo apressado, olhar assustado,

Dizem que o uivo corta a escuridão,

É o lobisomem solto na escuridão.


Trova antiga que o povo repete,

Entre um gole e outro de aguardente:

“Se ouviu uivar, não fique a olhar,

Corre pra casa, vai te pegar!”


Metade homem, metade fera,

Maldição antiga que nunca espera,

Quando a lua cheia vem clarear,

Em Tamandaré ele sai pra caçar.


Mas há quem diga, rindo baixinho,

Que o medo é maior que o próprio caminho,

Pois o monstro vive mais no falar

Do que nos passos que vão te pegar.


Ainda assim, se a noite chamar,

E o arrepio subir sem avisar,

Reza, corre e não olha pra trás…

Vai que o lobisomem corre mais!


Quando a lua sobe mansa no mar,

Tamandaré começa a se escutar.

Não é só uivo, não é só temor,

É a alma chamando quem se esqueceu do amor.


O lobisomem não corre na rua,

Ele desperta quando cresce a lua.

Mora no fundo do peito humano,

No instinto antigo, no medo arcano.


“Vai me pegar”, diz a mente em aflição,

Mas quem persegue é a própria emoção.

É a sombra pedindo para ser vista,

Não como fera, mas como conquista.


Metade luz, metade escuridão,

Somos todos essa divisão.

Homem e bicho num mesmo olhar,

Aprendendo quando é hora de uivar.


Se você foge, ele cresce em poder,

Se você encara, começa a se dissolver.

Pois o lobisomem, ao se revelar,

Quer apenas ensinar a integrar.


E quando a lua enfim se deitar,

Você entende sem precisar falar:

Não era ele que vinha te pegar,

Era você chamando pra se libertar


Sandro Paschoal Nogueira

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Encontro


 

Saio sem mapa...

Sem promessa no bolso...

A noite aberta...

Um talvez no olhar...

Não espero milagres...

Só deixo o vento decidir onde vai dar...


Levo expectativas leves, quase nada...

Pra não pesar o passo...

Nem o coração...

Se vier riso, ótimo.

Se vier estrada, que seja  canção...


Talvez um encontro...

Talvez o vento...

Um bar qualquer...

Conversa sem fim...

Ou talvez apenas um simples momento...


Vou assim: “vamos ver o que acontece”,

Sem cobrar do mundo...

Sem pedir um sinal...

Porque às vezes é quando a gente não espera...

Que a vida resolve surpreender no final. 


Sandro Paschoal Nogueira

Lampejos


 

Ele não bebe pra esquecer,

bebe pra lembrar do desejo,

cada gole é um lampejo

do que insiste em acontecer.


O olhar promete e não fere,

Deixa rastro no chão.

A noite sussurra pecados antigos

e ele brinda aos inimigos


Não pede amor, nem perdão,

oferece presença inteira

Boêmio não por costume...

Há corpos que são origem

do incêndio que ninguém assume.


E no fundo do copo escuro

não mora o fim, nem a fuga —

mora um homem que seduz

sem pressa, sem culpa


Na luz fria da calçada,

um olhar firme, sem pressa,

o tempo passa — não pesa...

Há silêncio que revela

mais verdade do que a brisa.


Entre flores da camisa

e o brilho discreto do anel,

O copo erguido não é fuga,

é brinde à própria história...


No rosto, a noite repousa,

não como sombra ou cansaço,

mas como quem fez do passo

um verso que não se ousa.


Quem olha vê só a imagem,

quem sente entende o sinal:

há homens que viram poema

sem pedir permissão ao final.


Sandro Paschoal Nogueira

domingo, 28 de dezembro de 2025

Amor de mentira


 

Amor de mentiras...

Feito de promessas impensadas...

Enquanto m’enganava a esperança...


Sonhos de olhos abertos...

Entre idéias e espíritos que pairavam...

Entre o lá e o cá...

Nas ansias mortais e das angústias que palpitavam...


Errante, ao turbilhão dos ventos...

Houve perfumes d’amor...

Houve doces venenos d’alma...

Entre destinos que já não me oferecem o acaso...

Razão tive, de viver bem magoado...


No duro aprendizado fiz-me escravo...

Ceguei-me...

Diante tanta ansiedade...

E desse que era meu já me não lembro…

Labirinto de um cego encantado...


Que a mim Deus então me salve...

De incômodos, de penas, de cansaços..

Desse sonho secreto e fascinante...

De meus olhos buscando os teus por toda a parte...


Sandro Paschoal Nogueira

domingo, 12 de outubro de 2025

Brigas


 

Dois corações, duas almas,

Duas personalidades, que se calam.

Amor que arde, briga que se faz,

Depois a reconciliação, uma nova paz.


Olhares que se cruzam,

Mas também se desviam,

Quando a dor fala mais alto, o coração se esvazia...


A noite é escura, mas há uma luz,

Que ilumina o caminho, e nos conduz.


Ele me ajuda, eu o apoio,

Eu o amo, ele é meu refúgio.

Eu o mando embora, mas ele não vai,

Porque o amor é forte, e não se rende jamais.


E se for, choro e sofro,

Mas o amor é mais forte, e eu o encontro.

Quero mais, quero tudo,

Uma história que se escreve, com altos e baixos, mas com amor profundo.


É o que me disseram, que o amor sempre vence,

Mas eu não acreditei, até que o meu coração se rendeu.

Onde fui tão sincero, e me entreguei,

Encontrei o amor, e meu coração se aquietou.


Sandro Paschoal Nogueira

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Degredo


 

Surgi coberto de silêncio...

Antes que soprasse a ventania...


Durmo talvez agora...

Alegria sem causa...

Volúpia de encontrar...

Prazer de abandonar...

Velhas ilusões...

Pequenas traições...

Injusto mal...

Nova amargura...


Meu coração não aprendeu nada...

Meu coração está perdido...

Unica estrella d’esta noite escura...

A dar-me este degredo por cumprido...


Sandro Paschoal Nogueira

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Despertar


 

Dei-te os dias...

Deite-te as horas e os minutos...

Destes anos de vida que passaram...

Ficamos nas paredes do vento...


Contamos as desilusões do coração...

Vivemos na esperança...

Mas fui pedra lançada em teu caminho...

E vi no espelho, a dura lição...


Cantei em coros de ilusão...

Mas a melodia se desfez no ar...

Perdi o rumo, a direção,

Num mar de sonhos a naufragar...


Depois…

Ah....Sempre depois...

Depois a verdade...

A fria realidade...

Olhei...

E daquele sonho despertei...


Não há mais véus, nem doce engano...

A alma nua, sem recuar...

O antigo "nós" é um plano insano...

Que já não pode mais brotar...


Desfizera-se a mentira...

Restou-me a certeza fria...

Hoje é quem eu sou...

Quem de quem fui?


Nada me prende a nada...

A liberdade que me guia.


Sandro Paschoal Nogueira

Amanhã


 

Nem um som...

Nem um grito...

Nem um ai...

O dia corre...

A noite se debruça...

Tudo mais passa...

O vento varre as flores no chão...


Que este destino em que venho...

Um alento que tenho...

Recomece sempre de esperança...

Junto ao brilho das estrelas...

Aonde os  sonhos se alcançam...


Paz sem vencedor...

Paz sem vencidos...

Se te fiz mal que conte-me as mágoas geradas...

Mostre-me tuas feridas...

Tuas roupas rasgadas...


Só eu sei de meus enredos e de  minhas agonias...

Meus loucos desejos...

Minhas estranhas fantasias...


Não me julgues,  pois a ti não me atrevo...

Taça cheia que ninguém ergue da mesa...

Não beba desta volúpia...

Sobre mim não te engrandeças...


Há verdades nas sombras...

E mentiras na luz...

Há silêncio de morte que também seduz...


Até quando?

Até quando...

Irei esperar em meu desespero...

Até quando sufocará o grito de meu peito?


Porque um só tempo é o nosso...

E o tempo é hoje...

Se não é submissão...

Já tarda a revolta...

Não demores pois então...


Veja...

O amanhã está à porta...


Sandro Paschoal Nogueira

domingo, 8 de junho de 2025

Espera


 

Eu não sofro, meu amor...

Espero-te apenas...


Os ventos me arrastam...

Não é fácil amar o vencido...

Amo e não sou amado...


Onde hoje me sentei a perguntar...

Que sortilégio a mim próprio lancei?

Tenho esta contemplação...

Mas não chego a desfazer...

Das velhas ilusões que achei no meu caminho...


No desolado coração...

O vácuo mudo adormece o meu  pensamento...

Porque na noite, farto de sofrer…

Interrogando o destino...

A sua sombra escondida...

Procuro e não encontro...


E perante esse abismo...

Da única realidade no momento possível...

Escondendo os meus gritos...

Continuo a te esperar...


Sandro Paschoal Nogueira

segunda-feira, 2 de junho de 2025

Escorpião


 

Libidinosas noites tive...

Ingênuo tal qual escorpião...

No abraço do meu inimigo encontrei...

Mais afeto que a um irmão 


E andei por todo um mundo...

E pelo menos pensei...

As imagens que as vi...

Por tantas encontrei ou tantas outras que perdi...


Não sei se ainda estou...

No que fiquei a sonhar...

Em névoas que adormeci...

Será que despertei alguma verdade ou com mentiras me cobri?


Ando já sem descansar...

Na vida  sem dormir...

Anseio que rasga o meu peito do que já vivi...

Daquilo que eu quero...

De tudo que já não sinto...

De tudo que já senti...


Tudo quanto eu pedira...

Tudo quanto ambicionara...

Tudo quanto pouco ou muito eu amara..

Com que ergue-se o destino...

Entre o tudo e o nada...

Da sorte desejada...

Ou da que está por vir...


Tanto andei...

Em estradas que julguei sem fim...

Lugares deserdados...

Sempre sonhando,  tendo fé...

Pouco desisti...


Nada sei...

Nada valho...

Entre tantos embaraços...

Será que muito ou nada faço?


De tanto que me arrependi...

E que faria ou não novamente...

Tudo amo...

Pouco compreendo...

Assim como tu...

Apenas sigo...

Um pouco...

Aprendendo...


Sandro Paschoal Nogueira

quarta-feira, 23 de abril de 2025

Despedidas


 

Se me deixares, eu te digo...

Que neste mundo de enganos...

Eu não fui enganado...

Mas tive contigo um bom tempo...

E neste tempo fui amado...


Mas tenha para comigo...

Assim como terei para contigo...

Somente boas lembranças...

E de um novo recomeço...

Que agora, com fé,  persigamos...


Falei e tudo fiz de quanto amei...

Das coisas que recebi e também dei...

O sonho passa...

E após a insistente dor...

Novos sentimentos nascem...


Se tanto me dói que as coisas passem...

É porque cada instante em mim foi

muito vivo...

E o tempo já passado...

Por nós nunca seja esquecido....


Sandro Paschoal Nogueira

Cuidados


 

Contei-lhe minha história e para ti fiz nascer poemas...

Coração solto em terra ímpia a florescer...

Da ilusão por mim criada só tive algemas...

Onde aprendi a sofrer...


Todas as portas já cerradas...

Todas as ruas vazias...

Vejo as estrelas a chorar...

E até,  quem diria...

Não é mais bela a lua...

É só uma luz fria...


No jardim das almas...

Ninguém acompanha meu caminhar...

Saudade ou aspiração?

Deixei minhas virtudes cair ao chão...


Cansei de tanto oferecer...

Do que não há de voltar...

Do tempo que há de chegar...

Castigo inexpiável...

Tamanho é meu parecer...

Para ter meus sonhos realizados...

A quem devo obedecer?


Para quê a busca das coisas?

Quando por fim tudo acaba?

Valerá a luta da conquista...

Onde ainda se crê e se ama ainda?


Sim, é certo...

Quem eu amo...

Agora zomba e ri do meu amor…

Em tudo o que fiz pus o cuidado...

Será possível mesmo o fim de tudo?

Restando-me só ausência e dor?


Sandro Paschoal Nogueira

domingo, 13 de abril de 2025

Babel


 

Tenho os lábios secos...

Arde-me a cabeça...

Tenho febre...

Vejo o presente, e também o passado e o futuro...

E tudo me assusta...


Já nem sei mais o que digo...

Penso em deixar de pensar...


Trago perdido o que o espelho não mais retrata...

Sem o cortejo das estrelas...

Sem o que me enfeita...

Inocência...

Aonde deixei ficar?


Vens oh lua...

Espantas com o teu clarão as sombras que me perseguem...

Todos os lugares são o mesmo...

Com um coração que tem que pulsar...

Dizer a Verdade quem poderá? 


E do esquecimento inviolável...

Nas trevas sondo, fixo e absorto...

Interrogo o intrépido destino...

Além das cousas transitórias...

Das paixões e das formas ilusórias...


Em meu refúgio...

Continuo sonhando...

Onde me perdi...

Também me encontrei...

E dos cálices de absinto que bebi...

Nessa Babel velha e corrupta...

Muitos outros sei...

Que ainda os beberei...


Sandro Paschoal Nogueira