Total de visualizações de página

quarta-feira, 29 de março de 2023

Estevão

 



#ESTEVÃO 


Na cozinha fez almoço...

Bem legal...

Eu já estava com fome... Passando até mal...


Fez :

Arroz e feijão...

Farofa com macarrão...

Nunca vi essa mistura...

Isso é coisa de Manaus...


Com cuidado e atenção...

Temperou, batizou o feijão...

Cozinhando de cueca...

Não faltou  uma abóbora...

Nessa mutreta...


Aipim cozinhou e fez frito...

Torradinhos...

Deliciosos em palitos...


Teve carne moída...

Já que quem prometeu a picanha...

Não foi o genocida...


Fez salada de picanha...

Melhor não falar dos transgêneros...

O tal do ovo que se sente...

Diz que é carne...

O coitado se sente...


Tudo bem temperado...

Para agradar a gente...

Raspamos os pratos...


No final deu tudo certo...

Ficamos satisfeitos...

E assim a gente se arranja...

No dia a dia...

Em tudo dando um jeito...


Sandro Paschoal Nogueira

domingo, 26 de março de 2023

Para Sempre


 

Que venha o caos e a loucura...

Para que assim eu possa enxergar um outro mundo diferente dessa mentira nua...


Sei que a razão não me assiste...

Mas meu coração ainda insiste...

Em poder sonhar...


O para sempre sempre acaba...

O horizonte nunca se alcança...

Os cândidos fantasmas da esperança também choram...

E nas veredas da vida há almas que se cansam...


Houveram em minha vida  uns espaços...

Onde nunca dei um passo...

E não tenho outra memória...

Do arrependimento por não ter feito...

De ter aberto o meu peito...

E de ter sonhado livre...


Dos feitos, ficam apenas as lembranças, que se tornam cada vez mais fracas...


As pessoas não vêem meu coração...

Vêem apenas meu comportamento...

Julga-me sem meu  consentimento...

Baseados no que eles mesmo vão vivendo...


Não procures a marca dos meus passos...

Não encontrarás flores crescendo...

Bebei tu mesmo...

A taça de seus venenos...


Sandro Paschoal Nogueira

sábado, 25 de março de 2023

Flor do sonho


 

Qual é a flor do sonho?

Noite de lua cheia...

Um violão...

Uma seresta...

Ter sempre um ombro amigo...

Um cafuné a ser recebido...

Viver sem inimigos...

Estar com Deus e Deus estar contigo...

Dormir ouvindo a chuva...

Ver voando as aves do céu...

Um bilhete de amor esquecido e encontrado...

Em um velho pedaço de papel...

O tempo é algo que não volta atrás...

Ter boas recordações...

É bom, muito bom, demais...

Todo jardim começa com um sonho de amor...

Quem não tem um jardim na alma...

Sofre com dor...


Sandro Paschoal Nogueira

Degredo

 



#DEGREDO


E o relógio dará as horas devagar...

Alheio à pressa da vida...

Enquanto ergo o cálice transbordante...

Da inveja dos olhares fulminantes...


Velhos e eternos pesares...

Que a terra já não sente...

Eu, de olhos ausentes...

As asas loucas abrindo...

Passeio entre muitos...

Indiferente...


Ah...

Quem mandou que fizesses...

Minha alma da tua escrava...

Por que não me ouvistes...

Enquanto te amavas?


Por que fugiste de mim...

E me magoavas com espinhos?

Por que não me ouvistes...

As minhas preces?


O degredo acabou...

E dele saí tão cedo...

Já não mais te quero...

E não é nenhum segredo...


Nada mais te pergunto...

Nada mais de ti quero...

O sonho acabou...

Brinca na poeira, brinca...

Já não és meu mundo...


Sandro Paschoal Nogueira

terça-feira, 21 de março de 2023

Ogro


 


Bem prá lá da amoreira...

Depois do riacho dourado...

Mora um ogro...

Que cuida de um jardim encantado...


Caminha sobre as estrelas...

A sua mesa é farta...

Recebe em sua casa...

Duendes, bruxas e fadas...


Não é muito educado...

Fala o que pensa na lata...

Quando irritado...

Parece o diabo...


Não é de muitos amigos...

Mas é fácil ser amigo dele...

Basta não muito importunar...

Prefere ficar em casa...

Do que na rua a vadiar...

Um conselho:

Não bata na porta dele...

Não o queira acordar...


Tem a sua verdade...

Tem o seu caminho...

Às vezes tristonho...

Outras risonho...

Marcas do já vivido...

Causado pelos espinhos...


Sonha com um mundo perfeito...

Desprovido da ilusão...

Ah ogro encantado...

Isso não existe não...


Fique em sua casa...

Cuide bem do seu jardim...

O mundo mente muito...

Tem pessoas boas...

Mas tem também muita gente ruim...


Sandro Paschoal Nogueira

domingo, 19 de março de 2023

Louco

 



O mais feroz lobo faminto...

De alma abalada de lado a lado...

Na escuridão da noite de um infinito...

Sorvendo em taças douradas meu absinto...


Tudo é vaidade nesse mundo vão...

Tudo é pó...

Tudo é nada...

E a lua que desponta na madrugada...

Testemunha a flor nascida que é logo desfolhada...


Beijos de amor pra quê?

Só neles acredita quem é louco...

Sim, louco sou...


No cio que se faz presente...

A alma se cala...

E o espírito fica ausente...


Quando me lembro desse sabor que tinha...

Os seus carinhos...

A suas mãos nas minhas...


Quando os meus olhos cerram de desejo...

Só na loucura posso ser feliz...

Compreendo...


Achas-me indiferente…

E  até crês que há em mim desdém...

Sem você já não me encontro...

Vago no aqui e no além...


Não vês que meu viver é falso...

Num cortejo de lobos...

Rumo ao cadafalso...


Não vês que os loucos também amam?

E sentem aflições na alma?


Quem ama inventa as penas em que vive...


Sandro Paschoal Nogueira

sexta-feira, 17 de março de 2023

Estrangeiros

 


Um pouco mais de sol - sou fogo...

Um pouco mais de azul - sou além...

Um pouco mais de amor...

É tudo que me convém...


Em minha alma tudo se derrama...

Enquanto quero, busco e sonho...

Antes que o calado tempo esmague tudo...

À ronda dos segredos...

Enquanto toca-me seus dedos...


Aqui chegando de onde venho...

Ver-me se apareço...

Um pouco para chamar sua atenção...

Tentando surrupiar seu coração...


Aqui ficam as coisas...

Somos estrangeiros onde quer que estejamos...

Por tal passo por essa vida...

Hora chorando...

Hora brincando...


Que quer o amor mais que não ser dos outros?


Sandro Paschoal Nogueira

Ronda

 



Quando o vento adormece e surge a lua...

Um canto triste e longínquo ecoa nas ruas...


E as estrelas caladas e do meu pranto testemunhas...

Elevam minha alma a tão doce e puro encanto...

Fazendo-me lembrar dos amores esquecidos...

Por mim, tão vividos...


A saudade então me abraça...

Que a delirar então me obriga...

Enquanto a mim murmura...

A sonhar na vida...


Minhas partidas...

Minhas chegadas...

Noites vividas...

Alvoradas...


Ah doce amor...

Que agora beijas minh'alma...

É noite...

E é tão escura...

Nem o brilho das estrelas...

Nem o brilho da lua...

Esconde essa minha angústia...

De não ter minhas mãos junto às suas...


Tudo dorme...

Só eu velo...

Desejando você...


Que é feito de tudo?

Por que tudo assim?

Dormir, sonhar e sorrir...

Ronda rotineira...

Toda noite é assim...

A lhe buscar pra mim...


Sandro Paschoal Nogueira

quarta-feira, 15 de março de 2023

Passamos

 



Passamos pelas coisas sem as ver...

Se alguém nos pede amor não nos fazemos amar...

Como passamos pelas flores numa calçada...

Sem as notar...


Somos agora mais lentos...

Nem tudo é novidade...

Passamos pelo tempo...

Chega a velhice...

Não aproveitamos a mocidade...


Em noites inclinadas de melancolia...

Não percebemos a lua...

As estrelas que nos fazem companhia...


De palavra em palavra...

Dia após dia...

Finda-se a vida...

Não percebemos...

Já não transborda o cálice em alegrias...


Onde a luz é feliz...

Ela se demora...

Vivamos imensamente...

A fuga das horas...

Hoje e agora...


Sandro Paschoal Nogueira

Veredas

 



Nas veredas da vida a minha alma não cansa...

Minha paixão aos céus é grata...

Enquanto caminho sobre as pedras caladas...


E todo este feitiço e esse enredo...

Há se essas mesmas pedras falassem...

Contariam as magias, os mistérios e  tantos outros  segredos...


Viram o nascer e a morte...

O inocente olhar...

O puro e o perverso...

Viram a lua e o seresteiro...

A matrona e o embusteiro...


Viram as mocinhas assanhadas...

O cio dos rapazotes...

Ouviram os gritos de dor...

Sob o fragelo do chicote...


Tanto viram e ouviram...

Mas nada testemunham...

Nem mesmo o sangue...

Escorrendo pela fronte...

Se se pode gritar a Verdade...

Por que escolhida essa sorte?


Minha terra...

Onde tenho o meu pão e a minha casa…

Minha terra onde meu pai nasceu…

Aonde a mãe que eu tive e que morreu...

Minha terra que fala onde nasce o dia...

E que as noites são cantadas...

Minha terra...

Minha pousada...

Onde caminho sobre as pedras tão caladas...


Sandro Paschoal Nogueira

Amorfo

 



Vinha em lua minguante...

Em um baile que não existiu...

Caminhou à sombra de luz moribundas...

Ninguém o viu...


Ainda que o grito sufoque a garganta...

E que os anos vividos lhe pesem nas costas...

Esboça um sorriso franco...

Sob as pedras que jazem mortas...


De coração confundido...

A noite trocou e dispersou os amigos...

Silêncio e respiração mais nada...

Se é milagre existir...

Olhando em seus olhos imagino...

Um vazio...

Um abrigo...


O que eu amo não sei...

Amo em total abandono...

Quisera eu o poder amar...

E sufocar sua solidão...

Resgatando-o desse amorfo sono...


Sandro Paschoal Nogueira

terça-feira, 14 de março de 2023

Paisagem

 



Quero gastar as linhas traçadas na alma, e semear ao mundo...


Sou a minha própria paisagem...

E assisto, lentamente, a minha passagem...


Tudo no mundo é frágil e passa...

E é tão pura a paixão que me inunda...

Quanto o pudor dos que não pedem nada...


Ah!...

Digo...

Não terei mais desejos...

Perco tempo em gracejos...

Disperso meus sentimentos...

Mas a mim minto...


O suplício é lento...

E minha alma imortal cumpre a sua jura...

Sonhando e voando alto...

A felicidade existe...

Só em Deus...

Fora desse mundo...


Sandro Paschoal Nogueira

domingo, 12 de março de 2023

Tardes

 



Ai, ai de mim...

Enquanto caminho eu já sou o passado...


Todos os momentos que nos coroaram...

Todas as estradas que abrimos

irão achando seu fim...


Dessa procura extenuante e precisa...

Não teremos sinal senão o de saber que iremos, por onde formos, de encontro de um para o outro...


Cinzenta é a cor do céu... Decerto vai chover...

Soa um cântico antigo no vento dessa tarde...


Nos bancos tristes que há na cidade...

Sobe em mim próprio como um desejo

Ou um remorso da mocidade…


Gente igual por dentro...

Gente igual por fora...

Não sei qual abismo temo...

Salvo, apenas, o meu sonhar...


Sandro Paschoal Nogueira

sábado, 11 de março de 2023

Platônico

 



Se as palavras morrem à míngua como os homens o que posso dizer?


Procuro e não lhe encontro...

Não paro...

Não volto atrás...

Bem sei e não aceito...

Todos me dizem que é loucura...

Eu andar à sua procura...


O primeiro de todos os meus sonhos...


O sossego, que não aprofunda...

O silêncio, que mais se acentua...

Sob um céu sardento de estrelas...

Vigília constante da lua...


Tristeza que diviso...

Ausente de seu sorriso…

Minh’alma da sua escrava...

Tão pálida e alvoroçada...

Amando calada...


Sandro Paschoal Nogueira

quarta-feira, 8 de março de 2023

Ansiedade

 



Nasci...

E vim para ser amado e para amar...

Mas esqueci-me e me perdi em algum lugar...


Tanto de meu estado me acho incerto...

E meus soluços sobem à eternidade...

É tudo quanto sinto um desconcerto...

Se me pergunta alguém porque assim ando...

Respondo: 

Ansiedade...

Lamento...


Procurei me enganar, acreditando...

Que tudo poderia ser diferente...

E perdi-me mais e mais fundo...

No silêncio desse vasto mundo...


Até o amor nos mente...

Hoje bem sei...

Só nele acredita quem é louco...

Mas vale, nem que seja só por um instante...


Não me acordes...

Deixai-me sonhar...

Meus olhos, minha boca vão sedentos...

De um encanto maior entre os encantos...

D’estrelas que andam dentro em mim cantando...


Sandro Paschoal Nogueira

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

Espero

 



Minha vida é repleta das coisas que sinto...
E não só de momentos que hão de passar...
E aquilo que trago no coração...
O espelho reflete sem ilusão...

Meus atos de improviso...
Tecem histórias de boatos...
Os sonhos se esvaem...
Enquanto fleto com o desconhecido...

Eu... bem que tentei...
Ter o olhar compreensivo...
Ter um sorriso desinteressado...
Tal qual um menino...

Se posso ter me perdido confesso...
Não vejo meu espelho a algum tempo...

Eu ouvi falar de promessas...
Que agora jazem mortas...
Nada é medido pelo seu valor...
Ah, como sei...
Quem lhe ama...
Também causa dor...

Sandro Paschoal Nogueira


sábado, 11 de fevereiro de 2023

Menino homem


 

Pingo de gente perdido por aí...

Menino na idade...

Crescido nos hábitos...

Rondando os bares...


O que busca?

O que quer?

Entre o real e a bela fantasia...

Contando as horas...

No transcorrer dos dias...


Correndo a cada passo...

Desejando aquecer a alma fria...

Contando entre versos e prosas a sua história...

Quem lhe diria...


Onde o devaneio voa...

Em uma vida à toa...

Vara a madrugada...

Pelas ruas...

Só mais uma espiada...


Alguns o fazem de morada...

Qual é a sua culpa nessa estranha jornada?

Sombra de seres curvados e encolhidos...

De peitos dilacerados pelas mágoas...


Os bares acolhem àqueles que o amor abandonou...


Sandro Paschoal Nogueira

terça-feira, 1 de novembro de 2022

Ordem


 

A ordem é pão, a desordem é fome...

E a  fome faz sair os lobos do mato...

Ela não tem lei...

É má conselheira...

Inimiga da virtude...

Faz doce as favas...


A gente pensa que se benze e parte nosso nariz...

E aprendemos quando já é tarde demais...

Afinal a ignorância do bem é a causa do mal...


A perder se ganha, ao ganhar se perde...

Já que a perseverança sempre alcança...


O cocho é o mesmo...

Mas lembre-se que são os porcos que mudam...


Paschoal Nogueira

Conversa


 


Cada santo quer a sua vela...

Cada tolo tem sua mania...

Conversa em pé de ouvido...

Tem a sua valia...


Se o mato enxerga...

As paredes podem ouvir...

Melhor falar baixinho...

Sorri melhor quem por último ri...


Cada um fala como quem é...

E não faz pouco olhar por si...

Procurando o que convém...

Adiante e mais além...

Cada um sente o frio...

Conforme a roupa que tem...


Cães e lobos comem todos...

Roem os ossos e não deixam para ninguém...

Calar é a sabedoria dos tolos...

Mas falamos bem baixinho para não ofender outrém...


Paschoal Nogueira

terça-feira, 11 de outubro de 2022

Criado

 


#CRIADO


Sou um criado...

Nasci para servir...

Sou, também, medroso...

E corajoso sei bem fingir...


De olhar fixo no horizonte...

Algo a se explicar...

Assim permaneço em meus pensamentos...

Sem ninguém me perturbar...


Sento-me nos bares...

Encho meu copo...

E sem ninguém que me descubra...

A noite passa em bons ares...


É possível também que eu me engane...

Da razão não sou o dono...

As ilusões murcham comigo...

Não gosto de ser surpreendido...


Ao vento conto meus segredos...

Quando roça as videiras...

Aos suspiros me entrego...

Quem eu amo está tão longe...

Perdido na poeira das estrelas...


Sandro Paschoal Nogueira 


facebook.com/conservatoria.poemas

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Espreito

 


#ESPREITO 


Por quais caminhos seguem a quem espreito olhares meus?

Bem sei que mesmo assim os desejos vagam para longe de mim...


A ilusão de agora...

Podendo crer-me livre...

Onde tenho a alma,

Sabendo que não sou?


Um passo além...

Distância a que não chego...

Trilhando estranhas sendas...

Sempre adiante...

E muito mais...


Eu não posso descobrir como é possível...

Amar sem ser amado...

Viver, sonhando acordado...

Ser consumido...

Em não te ter ao meu lado...


Sandro Paschoal Nogueira 


facebook.com/conservatoria.poeta

Pauladas de uma noite


 

#Pauladas de uma #noite...


Fim de noite...

Um cigarro de palha...

Chopp gelado...

Cadê a batata que estava aqui ao lado?

Houve tricô...

Sorrisos disfarçados...

Fofocas diversas...

De me deixar escandalizado...

Antes de ir a Portugal...

Um abraço bem dado...

O boy magia me deixou decepcionado...

O outro um tapado...

Perguntei o nome...

Disse ter nome de poeta...

Mas não sacou...

A minha letra...

A mona me contou...

Que o bofe dela está estragado...

Tá bichado...

Quase que com o bolo engasgo...

Ao  ouvir esse fato...

Disfarcei...

É lógico...

Sou bem educado...

E o gorducho fedido...

Que a tudo ouvia...

Estava compenetrado...

Fazendo-se  de desligado...

Não sou de muitas escolhas...

Assumo...

Sou bem facinho embriagado...

Mas antes dormir sozinho...

Que mal acompanhado...


Sandro Paschoal Nogueira 


Caminhos de um poeta


.

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Última vez

 



#ÚLTIMA  #VEZ 


Deixei meu coração cair...

Estava escuro...

E na escuridão me perdi...

Minhas mãos eram fortes...

Mas não conseguiram sustentar o peso sobre mim...

Meus joelhos fracos se dobraram...

E chorei...

Por tudo que senti...

Em muito fechei meus olhos e não quis ver...

Sempre ao meu lado...

Ah...

Como sonhei assim com você...

Mas a vida não teceu nossos destinos desse jeito...

Hoje compreendo...

E por mais que sofri...

Aceito...

Mas há um lado meu que você não conheceu...

De ser perseverante e lutar mesmo quando tudo já perdido...

Chorei...

Não me entreguei...

E do chão me levantei...

No jogo que comigo fizeste...

Antes um perdedor , venci...

Hoje toco seu rosto com um leve beijo...

E sorrio...

Contigo aprendi...

Sei que é a última vez...

Foi a última vez...

Sou feliz , sou livre...

Algo morreu...

E não foi em mim...


Sandro Paschoal Nogueira 


faceboom.com/conservatoria.poemas

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Palco

 



Dono de quê?

Se nem dono de mim eu sou...

Sonhos confusos...

Almejando ao coração ressuscitar...

Com tão pouco tempo a pensar...


Devaneios em barcos de desejos a qual me entrego...

Só assim me reconheço...

Quando a vida com o látego me fustiga...

Finjo não ver a realidade sentida...


Na pura ausência das coisas...

Um palco: eu e a lua...

O terror de pensar no fim da peça...

Louvando por estar em cena...

Ainda...


Mas o futuro insiste e persiste...

Em rasgar as cortinas...

Escurecer as estrelas...

Devorar a noite...

Massacrar o dia...


Na arte de perder-se não há nenhum mistério...

A cada dia um pouco perdemos...

Embora, até o momento, não percebi o quanto tenha mudado...


Quem me quiser que me chame...

Ou que me toque com a mão...

Antes que a peça termine...

E só reste silêncio e escuridão...


Sandro Paschoal Nogueira 


facebook.com/conservatoria.poemas

terça-feira, 13 de setembro de 2022

Um segredo


 


UM #SEGREDO


Eu queria contar-lhe que a vida é também isso:


Não há sossego...

Para quem está cansado de esperar...

Segue até ao fundo de existir...

Faz-se velho...

Esfria-lhe a alma...

Sente a fúria fria do destino...

Sente tudo de todas as maneiras...


Sou o único a bordo do meu barco...

Ao meu redor...

Apenas monstros...


O mais temido veneno é o tempo...

Nascemos carne....

E a cada dia vamos nos  transformando em sonhos...


Sandro Paschoal Nogueira 


facebook.com/conservatoria.poemas

Momentos


 

#MOMENTOS 


Amor imenso que também é cego...

Não há luar...

Não há estrelas...

Não sei o que vejo...

Amar eu posso até à hora de morrer...


Acordo...

E ainda que o caminho me espante...

Ainda que acordar seja

morrer aos poucos...

Amo...


Relembro o que fiz e o que podia ter feito na vida...

Quando o futuro me causa medo...

Todos os meus próprios momentos...

Ilusões e verdades...

Nesse espaço e tempo...


O que só agora claramente vejo...

Pode ser que para outro mundo eu possa levar o que sonho...

Nos destinos que não desvendo...

Vou amando...

Meus momentos...


Sandro Paschoal Nogueira 


facebook.com/conservatoria.poemas

domingo, 11 de setembro de 2022

Quem me dera


 

#Quem me #dera


Tentei fugir das sombras que me perseguiam, mas desisti...


Entre bares, nos fundos dos copos, tentei te encontrar.


Todo o amor que nos prendera desfez-se como asas de cera...


Quem me dera...

Quem me dera...


E por vezes as noites me cobrem de angústia...

Tortura-me os dias...


Vivendo sem no entanto ...

Esquecer-me desse encanto...

Que perdi...


Hoje...

Na esquina de cada rua...

Sem ti...

Vagando...

Eu sou...

Tal como a lua...


Sandro Paschoal Nogueira 


facebook.com/conservatoria.poeta

Sonho


 

#SONHO


Sonho absurdo...

Chamado realidade...

Desprevenido menino...

Diante mundo de maldades...


Deixe-me ver a vida...

Tal como eu queira...

Afaste de minha essas sombras...

Que me fazem chorar...


O mundo não se modifica...

E às vezes viver cansa...

Os homens são os homens...

E os ignorando...

Teimo em sonhar...


Teimoso em viver...

Ninguém vê minhas lágrimas...

Mas eu choro ...

Confiante e ansioso por mais querer...


Melodia de silêncios...

Em meus ensandecidos pensamentos...

À procura do eterno...

Perdido...

Sem nada saber...


Tão longe de mim...

Onde meus sonhos estarão?


Paschoal Nogueira 


facebook.com/conservatoria.poeta

Relaxado


 


#RELAXADO 


Sujo...

Porco e fedido...

Encostado no balcão...

Bêbado sem sentido...


Cada passo sobre a terra com seu pé cascudo...

Ouvir-lhe.…

Embriagado...

Custa-me  suplicios...


Deixemos aos nossos lábios os murmúrios...

Da mulher fácil...

Do homem impuro...

Do pederasta sem escrúpulos...


Da palavra jamais pronunciada...

E que não vou pronunciar...

Do resto que sobra na madrugada...

Da alma tão perdida quanto...


Passos sem rumos...

Higiene, cuidados lhe faltam...

Vive por viver...

Em floresta abandonada...

Nunca encontrou a quem pudesse chamar de amada...


Em total ausência de ser...

Estima própria é desprezada...

O que ganha e consegue...

É vitória a ser comentada...

Enquanto se esvai...

Em doses de cachaça...


Em fila descontínua...

Vive e segue adiante...

Será que pensa ser importante?


Mas o nada é aos olhos de muitos o todo...

Só um humano sujo e deselegante...

Bem aqui à minha frente...

Roto, esfarrapado...


A bebida faz-me ver...

E também julgar sem saber...

Mas sinceramente afirmo...

São almas que prefiro desconhecer...


Se o corpo é sujo e relaxado...

O mais não quero saber...

O mínimo de cuidado consigo não tem...

Quem sou eu ?

Quem é ele?

E quem é você?


Paschoal Nogueira 


Caminhos de um poeta

Paquera


 


Portão sem tranca...

Qualquer um entra...

No fundo do copo...

A verdade ausenta...


O que é feio...

Torna-se bonito...

Vistas embaçadas...

Nada faz sentido...


Meus Deus o que faço agora?

O tempo urge...

As horas dançam...

A noite é fria...

Pesa a balança...


Jogo de olhar não é suficiente...

Tudo bem...

Está mau vestido...

Meu coração arde...

Ao sonhar já despido...


Tem a cor de meu pecado...

Será o cheiro bom?

O gosto imaginado?

Madrugada começa...

Não imagina...

O que tenho arquitetado...


Ah esses amigos...

Por que não anda sozinho?

Tudo seria mais fácil...

Pedindo a benção do destino...


Paschoal Nogueira 


Paschoal Nogueira

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Não chores

 



Não chores quando eu morrer...

Eu não te ouvirei...

Mesmo que grites...

O teu desespero não posso ver...

Não estarei aqui...

Não me peças desculpas... Não posso perdoar...

Sob a terra não posso responder...

Não me leves flores...

Não sentirei o perfume...

As cores não verei...

Nem as trevas...

Nem a luz...

Não lamente minha ausência...

Não questione meu afastamento...

Deixa a tua consciência tranquila...

Eu já não terei a minha... 

Não podes mudar as coisas...

Não podes melhorar o futuro...

Não podes transformar o passado...

Leve suas flores para casa...

Não vou precisar delas... Garanto-te...

Não chore quando eu morrer...

Não ouvirei...

Me ames hoje...

Me abraces hoje...

O amanhã talvez não exista.

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

O voo da mariposa

 



#O #VOO DA #MARIPOSA 


Ardendo por arder em viva chama...

Sinto, suspiro, choro, colho o  pranto...


De inocente olhar, puro e perverso...

Envolto em mistério nevoento…


A mariposa 

Soberba...

Confiada...

Bela...

Subiu ao sol...

Cobriu o dia...

Em revoada...


Invadiu a vila...

Sendo desfeita e castigada...

Pela inveja fera de gente má e malograda...


E a multidão dissimulada...

Vivendo tal qual serpente enrolada...

Não lhe deu trégua...

Vomitou ódio pela bocarra... 


Tentou compreender a angustiante desgraça...

De ser bela e tão odiada...

Não conseguiu...

E  sem entender partiu...


Por mais que eu mesmo conhecesse o dano...

Também ocultei-me em meu abandono...


Foi tudo uma surpresa... Tudo de repente...

Toda a minha alma naquele momento indiferente…


Hoje...

Diante alucinações de um vinho triste…

Pesadelo hediondo me assombra...

Em tê-la visto perder-se na estrada...


A manhã nasce em muitas janelas...

Quem sabe...

Um dia...

Eu tenha o perdão dela...


Paschoal Nogueira 


facebook.com/conservatoria.poemas

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

Sonhe

 



Enche o teu copo...

Bebe o teu vinho...

Enquanto a taça não cai de tuas mãos...


Olhe, por um longo tempo, o céu pontilhado de estrelas...

Enquanto não turvam os olhos teus...


Abre a tua janela de par em par...

Lá fora, observe, a vida canta enquanto a brisa sussurra...

E te chama a compartilhar...


Transforme numa eternidade o teu rápido instante de alegria...


Ame...

Chore...

Sorria...

Grite...

Gire...

Crie seus caminhos com as plantas de teus pés...


Sonhe...

Você pode...

Enquanto tremula ainda...

A luz de algum clarão...


Paschoal Nogueira 


facebook.com/conservatoria.poemas

terça-feira, 23 de agosto de 2022

Castigo

 



#CASTIGO 


Embora o mundo me condene...

Quero emprestar meu peito à madrugada...

E muito amar...

Sob a luz prateada...


Espio sem um ai...

Minha sombra nas esquinas...

E nos ventos...


Onde seus olhos estão?

Não estão a minha procura...

Tento acalmar minha loucura...

Nenhuma razão para tanto amar...


Esperar dessa maneira...

Numa cidade deserta...

Tanto sentimento...

Para coisa nenhuma?


Mas o que serve a verdade?

Não, já não me interessa promessas...

Para quem ama e muito espera...


Quem me dará os meus anos, se os perdi?


Sigo só...

Abraçado pelo frio...

Porém não vejo...

Mais que o desejo de lhe encontrar...


E seu eu morrer antes disso...

Não verei a lua mais de perto...

Isso é meu castigo...

Que o amor me dá...


Paschoal Nogueira 


facebook.com/conservatoria.poeta

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Corpos


 

#CORPOS


Vendido aos ventos da tarde...

Aguardando antes que a noite semeie as estrelas...

Se alguma dor me fere...

É em ti que encontro abrigo...


Nebulosos anos sem sentido...

Vivendo e aprendendo amar...

Hoje a ti me entrego...

És um sonho...

Estou a sonhar...


Venho de dentro de mim...

E em busca sem fim...

Me dou a permissão de estar aqui...


Pobre de meus olhos cativos...

Meu coração a ti entrego algemado...

Outrora vagando perdido...

Em vasto deserto...

Só e abandonado...


Murmúrios de queixumes...

Desejo de amor comprimido...

Num quarto já não mais vazio...

Rasgando nossos lençóis de linho...


E o aroma que exala pelo espaço...

Tem delírios de gozo e cansaço...

Corpos incendiados pelos pecados...

Você em mim...

Eu em seus braços...


Paschoal Nogueira 


facebook.com/conservatoria.poemas

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Estrangeiro

 



#ESTRANGEIRO 


Por mais que ande...

Não sei para onde sigo...

Minha vida vivo...

Em ouro e em vincos...

Deito-me e brinco...


Passo entre visões de cadafalsos...

De zombarias ouvidas à madrugada...

Injúrias relacionadas...

Almas tardas...

Almas abastadas...


Confidenciam-me às estrelas...

Por mim, são amadas...

Companheiras...

Em solitária jornada...


Meu jardim há flores no ar...

Que dancam ao léu nas brisas sob o luar...

Desfazendo no sereno...

Antes do arrebol chegar...


E vou cambaleando...

Expiando crimes que não cometi em tempos dantes...

Os esqueço...

Não os levo comigo...

Sigo adiante...


Haverá outra fortuna a minha espera?

Ou quem sabe um purgatório se revelará?


Tenho a impressão de ter apenas uma direção a seguir...

Sempre à frente...

Sem o mal fazer-se presente...

E eu o sentir...


Ver a vida passar às vezes faz-me tédio...


Anseio a um lugar que me abrigue do meu frio...

Apenas peço...

Sem dobrar os joelhos...


Nada sei...

Nem para onde irei...

Restará apenas o desterro?


Hoje, afinal, não sou senão daqui...

Muito embora não me entendas...

Sou na vida passageiro...

De mim mesmo...

Um estrangeiro...


Paschoal Nogueira 


facebook.com/conservatoria.poemas

Urgências

 



#URGÊNCIAS 


Bem sei que, muitas vezes temos que adiar algo...

Adiar a esperança...

Adiar os sonhos desejados...


Mas para quem tem um coração urgente...

Na espera latente...

Na sofreguidão da alma vivente...

Não compreende a brevidade...


Tudo vira uma eternidade...

E nessa sufocante necessidade...

Na ânsia  reclamada...

No que não soube aguardar...

O momento se perde...

E não há como voltar...


Ah...

Como é dolorosa a urgência...

No peito a soluçar...

Tudo passa...

Mas não anda...

No desejo de se entregar...


No esperar com esperança...

Eis o segredo de se amar...


Paschoal Nogueira 


facebook.com/conservatoria.poemas

quinta-feira, 28 de julho de 2022

Outros

 



#Outros 


Presente as estrelas...

Na esquiva madrugada...

Embora o mundo me condene...

Devo sonhar...


Consciência solta pelo vento...

Minha loucura veste galochas...

E brinca com as faíscas nas tormentas...


Prenúncio de acontecimentos...

Nas demoras...

Nada digo...

Resta-me apenas o silêncio...

 

Acreditei que se amasse de novo esqueceria os outros...

Enganei -me...

Hoje amo a ti...

E também aos outros rostos...


Paschoal Nogueira

segunda-feira, 27 de junho de 2022

Deus nu

 



#DEUS   #NU


Vaidade das vaidades...

Viver de aplausos...

Quem diria...

Que em sua louca fantasia...

Teria mais loucos a querer um dia...


Ergo a taça vazia...

Saúdo a sua insanidade...

A tumba que lhe espera...

Abrirá a boca faminta...

Ofício das horas ardentes...

Até a fatídica hora chegada...


Embriaga-se em falso orgulho...

Enquanto a multidão feroz arrota falsas alegrias...

Sob a lua escondida...

Sobre as pedras em noites frias...


De que lhe vale a contenda?

Um vulto na mortalha vazia...

De que lhe vale banhar-se no ódio...

Soberbo e cego tocando a ferida...

Em horas mortas de nostalgia...


Proferes uma tormenta de palavras...

Na espessa noite que lhe abraças...

No íntimo sabes que não dizes és nada...


Amado...

Invejado...

Não compreendo mas sei que és...

Tolos que se enganam...

Sabes bem e bem no fundo...

Que és um deus desnudo...

Mas não o culpo...

Assim é o mundo.


Paschoal Nogueira 


facebook.com/conservatoria.poemas

domingo, 26 de junho de 2022

Luz perdida


 

#LUZ #PERDIDA


Tu ris de minha alma...

Censura meu ardor...

Mas por ti carrego..

Um grande amor...


O destino da gente...

Quem sabe aonde nos levará...

Ninguém prevê...

Quantas voltas o mundo dará...


Hoje tu me recliminas...

Esconde de mim teus olhos...

Peço que o amanhã não chegues...

Quando terás só meus abrolhos...


Duvido que alguém no mundo...

Tenha tanta vontade de te ter...

Tristeza maior na vida...

É os sonhos perder...


Mas, olha a vida...

Deixe ela correr...

Chegará o meu dia...

Que deixarei de por ti sofrer...


Deus de ninguém se esquece...

Passa o tempo e algo sempre permanece...

De ti terei saudades...

De mim nada mais terá...

Seguirei feliz adiante...

Como pássaro livre a voar...

Da luz deste olhar tristonho...

Nunca mais tu terás...


Paschoal Nogueira 


facebook.com/conservatoria.poemas


Caminho

 



#CAMINHO


Caminho, cade você?

Caminho, quero passar...

Caminho, se não responde...

Vou já pra outro lugar...


Um bicho quer me prender...

Um bicho quer me caçar...

Um bicho quer me comer...

É onça...

É jaguar....


Caminho...

Que vem ...

Caminho...

Que vão...

Quem adiante se esconde querendo meu coração?


É mistério é segredo...

É muito mais...

Diga...

Você me conhece?

Ou serei sua diversão?


Onça...

Quem foi que te pintou?

Quem te colocou o preto?

Quem te amarelou?

Quem te disse que sou bom de comer?


Os caminhos mudam com o tempo...

E só o tempo muda um coração...


A saga...

A sina...

Das noites perdidas...

Nada é distante...

Para mim no caminho...

Para a onça adiante...


Caminho, cade você?

Se não me responde...

Escolho outro...

Vou fugir de você...

Antes da onça me comer...

Antes de ser diversão...

Dessa ilusão...


Paschoal Nogueira 


Caminhos de um poeta

Lua

 



#LUA


Pergunto ao vento que passa...

E o vento nada me diz...

A porta está aberta...

E meu coração de poeta...

Banha-se com os raios do luar...


Olho pro céu e procuro...

Nesse mundo tão escuro...

Uma fonte de inspiração...

Um singelo sorriso...

Alguém que me dê a mão...


Vida a fora...

Toda paixão qual lua...

Crescente, cheia, radiante...

Chorando na minguante...


Vigio o amor...

Que em mim acanhado...

Silencioso e oculto...

Mas abrindo a porteira...

Será o maior do mundo...


Lua de muitos encantos...

Que enxuga os meus prantos...

Nos caminhos e estradas da vida...

Até quando?


Noites sem sono...

Meu segredo , vou contar...

O poeta se revela...

É você que amo...

E sempre irei amar...


Paschoal Nogueira  


facebook.com/conservatoria.poemas

quinta-feira, 23 de junho de 2022

A feiticeira

 



Quadro de minha sala de visitas...


#A #FEITICEIRA 


Com meus olhos no horizonte...

Uma sombra surge ao longe...

É mistério...

É sedução...

É um aperto no coração...


O fascínio é a liberdade...

Sonhar é o destino...

Vida doce...

Água pura...

Ir aonde o vento me levar...


Veneno derramado no coração da noite...

Cálice transbordando em beladona...

Que toda embriaguez seja enaltecida...

Como quem estrelas fabrica...


Faz-me seu amante, poeta, louco...

Deixa-me suspirar esse enigma...

Junto-me às labaredas...

Visto-me de luxúria...


E minha alma pura e crua...

Deixa de ser minha...

Torna-se sua...


Por 

Paschoal Nogueira 

in

facebook.com/conservatoria.poemas

sábado, 18 de junho de 2022

Fera

 


#FERA


Em que longínquo abismo...

Em que remotos céus você se esconde?

Enquanto o seu coração de vidro bate...

Ressoa, sem alarde entre os mortais pela eternidade...


O silêncio já não lhe amordaça...

Saltam de seu olhar...

Faíscas e trovoadas...

Sonhos desfeitos...

Um vácuo no peito...

E rega a terra sob suas lágrimas...


Quem entre os homens poderia lhe acalmar?

Não se entrega à lama que lhe espera...


No ódio que lhe cerca...

Na sarjeta que o chama...

Sacrifica suas quimeras...


Necessidade de ser fera...

Se alguém se compadece...

E por você chora...

A mão que afaga também não perdoa...

E ao incalto devora...


Veste-se de saudades...

De tristeza e dor...

Dos anjos não dá ouvidos ao clamor...

É fera ferida constante...

Essa é a sua condição marcante...


Não é insano...

É um lamento...

É impávido em calado sofrimento...


Sandro Paschoal Nogueira 


facebook.com/conservatoria.poemas

Desterro

 



#DESTERRO


Cada verso que escrevo é uma esfinge a ser decifrada...

É um sussurro que o silêncio contradiz...

Do nada para um nada...

Na busca de um segredo...

Que aflorando o peito...

Vaga no deleito...


Arma-se a fogueira...

Fustiguem minha carne...

Cuspam em minha cara...

Invadam o meu corpo...


O tempo será meu aliado...

Levará meu sofrimento...

Fará jus ao que escrevo...

E até quando me mantenho calado...


Motivo de zombaria...

Dos desgraçados...

Por muitos e muitos poucos amado...


E no vento que sopra...

Levantando a poeira...

De costas para o sol então verei...

O fim de uma era...


De que me serve a razão?

Se não existe o que quero?

Desterro e má sina...

No que traço...

Estúpidos são aplaudidos...

Enquanto eu cá...

Em minha sorte...

Apenas sigo...


Sandro Paschoal Nogueira 


facebook.com/conservatoria.poemas


.

Balanceio

 



#BALANCEIO


Sou só...

Um silêncio de olhos vendados...

Cego caminhante...

De uma, duas, mil vidas...

Em erros passados...


Escondo-me...

Não porque quero...

Mas porque temo...


Sonho...

Ah...

Como eu sonho...

E me perco...

Disfarço meus desejos...

Não são puros...

Torturam meu coração...


Seu olhar sobre meu corpo...

É chicote que me fustiga...

É sofreguidão...

Que me alucina...


Não mudo...

E por você...

Me deito no chão...


Me invade...

E feliz choro...

Me entregando...

À sua devassidão...


Giro e reviro...

Arranho o chão...

Mordo meus lábios...

Enquanto lhe dou meu coração...


Amando num balanceio...

Tenho na pele o cheiro do amor...

Em você procuro aquilo que não tenho...

Enquanto satisfaço o seu anseio...

E esqueço...

A escuridão de meu peito.


Sandro Paschoal Nogueira 


Caminhos de um poeta


.

Madrugada

 



#MADRUGADA


Louco...

O vento passeia...

Enquanto a noite envolve a terra...

E na rua deserta...

Uma alma vive...

Alma cheia de dor...

E de dor a alma está cheia...


Ao sabor dos enganos...

Vagou...

Não sentiu o decorrer dos anos...


Olhos fitos no vácuo...

Murmúrios desconexos...

Conserva o mesmo orgulho...

De um morto austero...


Celebra as ilusões com os fantasmas...

Enquanto gela o sorriso nos lábios...

Está só...

Não querida...

Apenas usada...


Caminha...

Passo a passo...

Se arrasta...

O tempo já lhe pesa...

Enquanto sopra o vento...

Nas altas horas em calma...


Cansada...

Tamanha fadiga...

Espreguiça...

Boceja...

Enfim, se dá por vencida...


Com os olhos cheios de mágoa...

Segue o vento pela estrada...

Aurora anuncia...

Nessa noite não foi usada...

Nem foi querida...


Sandro Paschoal Nogueira


Caminhos de um poeta


.

domingo, 5 de junho de 2022

O boto


 

#O #BOTO #COR #DE #ROSA


Era noite de luar...

As águas mansas refletiam a lua cheia...

Triste seria aquela noite...

Sem a presença das estrelas...

Naquela noite fria...


Num sorriso de criança...

Num olhar, numa esperança...

Na natureza esquecida...

Apenas uma brisa...


Sentada à margem do rio...

Uma donzela brincava...

Com suas madeixas douradas...

Entre os dedos entrelaçava...


Ao longe, no povoado...

Muita alegria...

Era festa da padroeira...

Naquele dia...


Tinha muitas barraquinhas...

Maçãs do amor...

Churrasquinhos...

Muitas iguarias...

Não faltavam as bebidas...

Ao som do forró...

De grande algazarra e alegrias...


Todos se divertiam...

Mas, aquela moça, de todos preferiu se afastar...

Preferiu nas margens do rio...

Estar ali a meditar...


Na escuridão do infinito...

Todo ponteado de estrelas...

Flores que desabrochavam...

Perfumando a atmosfera...


Das águas antes plácidas...

O amor pode surgir de repente...

Um belo cavalheiro emergiu...

Como uma estrela cadente...


Seduziu e a amou tanto e profundamente...


O amor não marca hora..

Surge quando menos se espera...

E quando menos se espera...

Também vai embora...


Cada um cumpre o seu destino...

Assim está escrito...


Nessa mistura de sonhos...

Agora a donzela bonita está triste...

Vive sentada no barranco do rio...

Junto com a lua e com um pequeno menino...


Esperando a volta do garboso amante...

Que após amá-la...

Mergulhou nas águas...

Desaparecendo...

No horizonte...


Sandro Paschoal Nogueira 


http://conservatoriapoeta.blogspot.com


.

Vácuo

 



#VÁCUO 


Tempo...

Sábio ingrato tempo...

Tal qual ladrão furtivo...

Que me rouba sem que eu me perceba...

Minhas idéias...

Minhas imagens...

Minhas palavras...

Meus alentos...


Transforma em cinza minhas saudades...

Os sonhos por mim vividos...

As minhas dores sofridas...

Minhas penas...

Minhas conquistas...

Até elas serão esquecidas...


Assim como amores e desejos...

Sugados ao vácuo...

Preteridos...

O amor mais árduo...

Suprime...

Suas marcas me oprime...

Torna-se pesado...


Tempo que não me ignora...

Transforma as minhas esperas...

Sufoca minhas horas...

Me fustiga...

Traz-me vitórias e derrotas...


Para ti pouco lhe importa...

Será castigo?

Nada terei?

Mais nada?

Nada mais serei?

Nem um pequeno momento?

Relegado ao esquecimento...

Nem mesmo tormentos...

Terei...


Tudo será esquecido...

Até mesmo meus motivos...

Não o compreendo...

E isso deixa-me estarrecido...


Um miserável ontem...

Um ditoso hoje...

Amanhã o que serei?

O tempo em mim já é perdido...


De mim já nem mais falo...

Palavras tornariam-se ecos...


Já não quero mais nada...

Pois tudo nasce e morre...

A cada alvorada...


Tempo...

Tempo...

Meu amante...

Meu algoz...

Esconderá minha alma?

Lentamente...

Lentamente...

Apagando minha voz...

Na escuridão que se avizinha...

Nada mais...

Nada mais serei.


Sandro Paschoal Nogueira 


Caminhos de um poeta

sexta-feira, 3 de junho de 2022

Choro


 

#CHORO


Por que quando faço o bem eu tenho vontade de chorar?

Dizem que alivia a alma...

Não sei se é verdade...

Então resolvi chorar...


Chorei por tudo o que eu já fui....

Por tudo que eu sinto...

Por tudo que eu sou...

Chorei pelo que serei...

E que nem sei...


Chorei pelo tempo perdido...

Pelas coisas que não ficaram...


Chorei pelas sementes que eu plantei, mas que não germinaram...


Chorei pelos erros cometidos..

Pela vida que eu sonhei...

Que não consegui realizar...

Chorei...


Chorei pelos amores que morreram...

Por aqueles que passaram...

Pelos não correspondidos...

E por aqueles que nem nasceram...


Chorei para tentar afastar o medo...

Com as lágrimas que eu derramei...

Meu coração pôde se lavar...


Chorei...


Pedi aos céus, baixinho...

Para que me desse conforto...

E como resposta...

Ele chorou comigo...

Mostrando para mim que mesmo no fim...

Eu não estaria sozinho...


Sandro Paschoal Nogueira 


facebook.com/conservatoria.poemas